Qual será o papel do professor no contexto das novas tecnologias digitais?

 

Atualmente, o professor confronta-se com uma disponibilidade imensa de ferramentas digitais. Numa simples procura em qualquer browser surge-nos alguns exemplos: prezi, mindomo, moodle, flipchart, e mais ainda, youtube, google docs, twitter, wordpress, slideshare etc. E nesta imensidade de oferta surgem-me várias perguntas: que ferramenta devo utilizar? Algumas apresentam um interface mais intuitivo, outras obrigam a horas de aprendizagem, às quais se somam horas de construção dos recursos educativos digitais (RED). Quais são as vantagens destas novas ferramentas? 

Presentemente, as editoras apresentam uma oferta complementar de serviços associados à adoção dos manuais, disponibilizando o acesso a plataformas digitais onde se apresentam os conteúdos estruturados de acordo com as metas educativas e que incorporam um maior nível de interatividade. A construção de muitos destes RED envolvem a utilização de ferramentas digitais complexas e por isso a existência de equipas muitidisciplinares. Neste contexto, não tenderá o professor a ser cada vez mais um gestor/utilizador das ferramentas digitais e menos um professor construtor dos seus próprios recursos? Que formação será exigida a este professor para a escolha adequada dos recursos e das ferramentas digitais?


 

Comentários

  • Artur Coelho há 1633 dias

    don't panic. pessoalmente só te posso dizer para não confundires a floresta com as árvores. ok, tens milhares de ferramentas digitais ao teu dispor. e depois? todas te são apresentadas como geniais e capazes de mudar paradigmas. boa parte delas fica esquecida ao fim de alguns meses e não sobrevive ao darwinismo acelerado da economia digital. novamente, e depois? pessoalmente o meu foco é no que quero que os meus alunos atinjam e depois na ferramenta. pequeno exemplo: não troco o powerpoint pelo prezi porque o meu objectivo é discursar com apoio visual e não deslumbrar com efeitos visuais empacotados. o foco está no que quero transmitir. outra dica é construires os teus reds em coisas transversais: txts, pdfs, sequências de jpgs, vídeo... depois é só ctrl+c -> ctrl+v na ferramenta da moda. 

    no que toca aos manuais, e-manuais and it's ilk, não me pronuncio.... muito. devido à disciplina que lecciono e espaço cognitivo que me é dado na escola onde trabalho estruturo-a quase como um atelier de duas fases, aprendizagem elementar e pbl com os alunos a definir o problema sobre o qual irão desenvolver projectos. os manuais passam-me um pouco ao lado... mas repara: o dia tem 24 horas, há mais vida para além da escola, e a quantidade de alunos por turma é exaustiva. a menos que sejas hiperdedicado próximo do autismo é incomportável estares a desenvolver recursos em cima disto tudo. pode irritar usar recursos empacotados uniformizados, especialmente para aqueles professores com processos mentais de abordagem pedagógica muito bem definidos, mas se te poupa tempo e neurónios, why not?

    resumindo: verificaste a liga metálica do elemento fusiforme que irá perfurar o veio através da fórmula de aplicação de forças influenciada pela torção muscular e peso do elemento de apoio conjugada com o atrito típico da espécie vegetal que pode ser mitigado pelo design do elemento fusiforme? ou, simplesmente, pregas um prego? temo que muitas vezes, deslumbrados/estupefactos perante a diversidade do ecossistema das ferramentas digitais, nos esqueçamos de manter as coisas simples.

  • @na correi@ há 1633 dias

    Olá olá...

    A torrente de água dá-nos sempre a sensação de que nos vamos afogar, e é provável que aconteça se não respirarmos fundo e tentarmos ter calma.

    O meu lema é o mesmo nesta turbulência e na anterior... bom senso e bom gosto. Subscrevo o comentário do Artur (embora eu cá goste do prezi... ;) ) sempre com esta minha permissa inicial de simplificação.

    Usemos o que interessa, excluamos o que não interessa. Introduzir a tecnologia não significa impô-la de modo irrefletido. É fundamental não perder o foco - as necessidades dos alunos e a nossa sanidade mental. As ferramentas estão disponíveis, não somos obrigados a utilizá-las todas para encaminharmos o a aprendizagem para o futuro. A questão de usar as ferramentas digitais na educação ou em qualquer outro setor passar por fazer uso delas com o objetivo em mente e elas devem servi-lo, não o contrário, ou corremos o risco de fazer o que alguém que eu conhecia fazia: todos os dia ligava o quadro interativo e o usava com os alunos, demorava cerca de dez minutos a por tudo em ordem e a perder os alunos entretanto, mas usava as novas tecnologias, e usava-as para escrever o sumário...

    Afinal nós servimo-nos delas ou servem-se elas de nós?

    @na

     

  • Maria Teresa Gomez há 1633 dias

    Exatamente.  As TIC ao serviço do processo educativo, sempre; nunca ao contrário.

    Teresa

  • Claudia Machado há 1632 dias

    Olá a todos...

    Face à necessidade de se estar permanentemente construindo e reconstruindo o conhecimento e aos desafios impostos pela sociedade da informação e do conhecimento, a formação continuada dos professores torna-se um fator imprescindível, visto que possibilitará uma reflexão e consequentemente uma possível mudança na sua prática pedagógica. As novas possibilidades de utilização das TIC na educação também trazem novos desafios aos professores, pois torna-se necessário que seja feita uma reflexão sobre os critérios de utilização. Neste sentido, parece-nos crucial a formação contínua como espaço de reflexão.

     

  • Américo Sousa há 1632 dias

    Bom dia, a tod@s

    A imagem do afogamento da @na é uma sensação em que por vezes somos confrontados e que pode criar uma certa agonia por sentirmo-nos a incapacidade de acompanhar as mudanças tecnológicas que surgem. Mas como refere o Artur Coelho muitas dessas ferramentas "não sobrevive ao darwinismo acelerado", e por isso essa sensação de afogamento se desanuviar um pouco.

    Eu, neste ponto considero-me um pouco conservador, por exemplo: apesar de gostar do prezi, o powerpoint é a minha ferramenta de eleição uma vez que me permite a produção de recursos digitais mais rapidamente. E aqui reside um dos pontos extremamente importante - o TEMPO. O tempo que se disponibiliza para a construção de recursos digitais e que algumas vezes não têm o efeito desjago no processo ensino/aprendizagem. 

    Contudo a grande vantagem das novas tecnologias digitais no processo de aprendizagem é a possibilidade da interatividade dos recursos educativos digitais com o sujeito e tornar o sujeito construtor do seu processo de aprendizagem.