Ao espelho retrovisor

uma resposta rápida ao catastrofismo digital do nick carr que recordei no vídeo 1. o mcluhanismo pode ser assustador, sabemos, essa ideia de que as ferramentas que usamos modelam-nos tanto ou mais do que as modelamos a elas mexe com conceitos que nos são elementares como livre arbítrio, auto-controle ou liberdade de pensamento. e se lhe metermos uma nova tecnologia dá sempre espaço às visões apocalípticas sobre a catástrofe civilizacional iminente porque as novas gerações não serão como a nossa e daí nada de bom poderá advir.

adoro aquela história (se não me enganto via brian winston, media technology and society, http://www.goodreads.com/book/show/2654955-media-technology-and-society, só para mostrar que aprendi bem a lição sobre plágio e mais tarde comento a incredulidade com que vi uma instituição académica a objectificar o corpo feminino para ensinar a boa ética anti-plágio, mas tinha killer robots por isso... não, não se desculpa) sobre os tempos em que não havia internet televisão videogames radio e os romances eram considerados perniciosas influências sobre a mente. curiosamente vieram a tornar-se clássicos da literatura, caso de werther de goethe, várias vezes acusado de incentivar o suicídio nos jovens da época romântica. 

does the internet change the way we think foi a questão edge para 2010. edge, para aqueles que não conhecem, é coordenado por john brockman e todos os anos faz uma pergunta, respondida pelos maiores nomes da ciência, pensamento e tecnologia da actualidade. vão ler, são fascinantes: http://edge.org/annual-questions. das respostas para 2010 cito esta em especial: "Before cuneiformwe revered the epic poet. Before Gutenberg, we exalted good handwriting. We still gasp at feats of linear memory"  (http://edge.org/q2010/q10_print.html#church). ou, como numa disputa literária warren ellis (fãs de bd por aqui conhecem a importância deste escritor) observou: "

Some beardy druid from the oral tradition, a few thousand years back:

I don’t want to wake up and look at paper. I feel like as a society, we try to put everything on that same (Brythonic swear word) piece of paper, and pretty soon we’re going to be eating on paper or, forsooth, making love through paper. It’s just sort of like: "Why does everything have to be on the paper?""

veio daqui: http://www.warrenellis.com/?p=9270

o que não quer dizer que isto seja uma questão linear. carr não deixa de ter razão, especialmente na necessidade de reflexão e afastamento do constante fluxo, ok, fluxo não chega para descrever, torrente de informação. para não variar, o que nos é mais eficaz está no cruzamento dos argumentos. is google making us stupid, célebre frase do carr na new atlantic em 2008? seis anos depois, digam-me lá, sentem-se mais.. pronto, serei elegante: menos inteligentes? 

Comentários

  • @na correi@ há 1805 dias

    Realmente já tinha começado a sentir o meu cérebro a encolher.

    bem-haja pelos links...

  • Artur Coelho há 1804 dias

    já o meu deixou de conseguir viver sem um constante fluxo de eternal now. é aquela torrente ruído de fundo que acompanha o lado mais concentrado. tipo background radioation, mais mais interessante que estática no ecrã.

  • Artur Coelho há 1804 dias

    *radiation. damn. coemço a suspeitar que estou a desnvolver dislexia viral.