Honestidade intelectual

As questões relacionadas com plágio nem sempre são fáceis de reconhecer, compreender e resolver. Já me deparei com situações em que não há intenção e/ou consciência de uso abusivo. Tendo em conta a faixa etária, o contexto e as caraterísticas do indivíduo, reconheço utilidade formativa à penalização, mas (e remetendo para o texto 3, de Paula Pedroso) acho que a solução passa por todo o processo educativo, nas suas diferentes vertentes.

Comentários

  • Sandra Galante há 1835 dias

    Uma história exemplar:

    Há uns anos, uma aluna (trabalhadora, participativa...) entregou-me um trabalho que parecia cumprir os requisitos: citava devidamente e referia as fontes. Aquando da leitura e classificação do mesmo, reconheci algumas passagens, mas, confrontando a bibliografia indicada, não encontrei evidências de qualquer atitude incorreta. Ao entregar o trabalho, comentei tal sensação com a aluna, que me respondeu, de forma algo ingénua:

    - Professora, faço sempre assim: indico fontes que não consultei e consulto fontes que não indico! É um truque meu... Não tem mal, pois não?

    Sem comentários... 

  • Ribães há 1835 dias

    A história que nos conta, muito ou nada tem de exemplar mas porventura talvez a pudessemos inscrever [numa primeira instância e para entrada de reflexão] de "criativa". Todavia, sendo ela factual, não deixaria de merecer os devidos comentários de ocasião por parte da professora Galante, S. em detrimento de um simples "sem comentários"; que embora não nos tenha dito de forma clara aquilo que realmente se passou depois da afirmação da aluna, deveria no minimo tê-la esclarecido do grave erro que estava a cometer e remeter estes assuntos para uma esfera mais profunda do que a honestidade intelectual, até porque, na sua "ingenuidade" de aluna conforme refere {presumo que esta ingenuidade seja mesmo a de crescimento], a mesma até foi honesta ao dizer a verdade e isto é de facto um aspeto muito positivo para quem se vê confrontado com uma inóspita interpelação por parte de uma professora. Assim sendo, e pegando neste começo de aceitação da verdade, deveria a professora ter agarrado neste aspeto e aclarar o acontecido com outros temas de circunstância, tal como a ética na investigação e as competências do investigador, conceitos basilares para a interpretação do todo-global deste fenómeno muito relatado na literatura [razão essa de ter colocado anteriormente as aspas em criativa]. Isto como pontos de partida para a devida explicação de pormenor à aludida "aluna-criativa" e numa fase seguinte passarmos para as questões mais particulares, tais como começar desde logo, que é dever de qualquer investigador construir conhecimento e fazer uma rigorosa explicitação das fontes utilizadas de modo a que seja mantida a fidelidade dos dados recolhidos e dos resultados alcançados. Deixo o reparo em construção, até porque não sabemos o que é feito desta aluna, que rumo ela tomou [se continuou participativa e trabalhadora, etc.] depois daquela confrontação de ingenuidade declarada ou simplesmente desconhecimento das matérias, é que por detrás deste pensamento da aluna houve concerteza uma aprendizagem por parte de alguém mais "adulto", mais crescido, menos ingénuo ou não tanto ingénuo, e como tal mais desonesto ao nível intelectual [aqui sim, fazia match de alinhamento com o tema avançado por Galante], pois fazendo uma breve análise "psicosociológica" ao traço da descrição da aluna, a mesma tem por trás de si um pano de fundo muito mais ob[e]scuro do que um simples pano de magia. É que os "truques" alicerçados em mentiras mais cedo ou mais tarde são descobertos, lembrando os dizeres da velha sabedoria popular "que uma mentira tem perna curta" ou "apanhasse mais cedo um mentiroso do que um cocho".

  • Sandra Galante há 1835 dias

    Concordo inteiramente com a sua apreciação (que agradeço) relativamente à situação (intencionalmente provocadora) que relatei. Trata-se de uma ocorrência para mim algo inusitada (sobretudo pela espontaneidade e sinceridade da justificação apresentada pela aluna), complexa e merecedora de reflexão. À época, o trabalho da aluna foi anulado e foi-lhe aplicada uma medida integradora que, atendendo à sua idade (14 anos) e ao conhecimento do contexto, me pareceu ajustada: sob supervisão (e com o apoio) da equipa da Biblioteca Escolar, a estudante preparou uma sessão que apresentou a todas as turmas do mesmo nível de aprendizagem (incluindo a sua), a propósito da realização de trabalhos de pesquisa e da norma adotada na escola para referenciação bibliográfica.