Pesquisa, seleção, partilha e plágio

  • Público
Por Elena há 1778 dias Comentários (7)

As competências digitais que os professores devem possuir em termos da mediação tencológica dizem respeito tanto aos níveis técnicos e práticos quanto à dimensão colaborativa. Para além de ser mero usuário(utilizador) o professor tem compromisso ético e profissional com a construção de conhecimento. Quem é capaz de se tornar autor? 

Há muitas discussões emergentes a respeito do papel das tecnologias no comportamento e nas relações humanas. O plágio é uma situação de pirataria altamente disseminada no contexto escolar e também profissional iniciando-se pelas cópias não autorizadas dos software proprietários que a maioria de nós utiliza nos nossos computadores pessoas.

Comentários

  • Clara Cardoso Pereira há 1778 dias

    Olá, Elena. A questão do plágio no meio académico não é nova, especialmente quando se trata de ambientes colaborativos em regime exclusivo de e-Learning. Como aferir a identidade dos alunos online? Como podem ter a certeza de que este comentário, por exemplo, foi mesmo escrito por mim? E se este comentário não levanta problemas, já a avaliação pode levantar. O problema do plágio já se coloca há muito pelo acesso facilitado à Internet. A tentação de pesquisar online e fazer copy + paste é muit forte, mas cabe ao professor desencorajar este hábito pelo incentivo ao estudo crítico e não apenas à compilação passiva da informação. Mesmo as novas tecnologias podem servir para travar este tipo de prática, dado que existem formas de verificar se determinado trabalho foi plagiado online.

  • Ribães há 1778 dias

    O plágio existe desde que o homem começou a entender a escrita como uma execelente "arma" para vencer os outros

  • Elena há 1773 dias

    Concordo Clara. Nós professores temos muita responsabilidade pelas condutas de nossos estudantes. Para tanto, é preciso educar pelo exemplo.

  • Elena há 1773 dias

    Olá Ribaes. Já há pessoas falando em autoplágio. O que pensas a respeito disso?

  • Ribães há 1771 dias

    Cara Elena! Bom dia.

    Relativamente à questão do plágio (inclui-se aqui o autoplágio), faz já alguns dias que tramitei considerações sobre o mesmo (certamente escapou-lhe da atenção), respondendo de igual modo a outra intervenção e sobre o qual de igual modo tive a oportunidade de alargar mais alguns horizontes em direção a outras temáticas interrelacionadas.

    Hoje e aproveitando a sua deixa, irei virar a minha pequena reflexão para a "Pesquisa". Assim sendo, e se é verdade que a vida de todos nós se assume como um combate perpétuo em direção a um "qualquer futuro incerto", convirá (e como estamos a falar na escola), a partir desta, preparar o futuro adulto para essa competição ou, pelo contrário, dever-se-á, nos diferentes modos e nas sucessivas etapas da formação, valorizar a cooperação e a comunicação? Será possivel estabelecer um equilibrio entre estas duas exigências, da personalidade e do destino? Se é possivel, como? Por que vias?

    Estas são, entre outras parte das questões essenciais que se colocam ao educador de hoje, quer seja responsável ou executante dos inevitáveis programas associados. Da resposta que podemos encontrar dependerá, em grande medida, a orientação geral do ensino e porque não de toda a sociedade onde estamos envolvidos como parte integrante de um processo maior.

    Se admitirmos a ideia de que a educação virtualizada (digitalmente falando) venha ultrapassar de longe os limites tradicionais que lhe foram fixados (com todas as suas virtudes e defeitos), sobretudo no que tange ao ensino, teremos então que aceitar - também - que qualquer pessoa que, em dado momento e em determinada circunstância, tem responsabilidades de instrução e de formação, será um educador.

    É o caso do professor, naturalmente, mas também o do médico, do padre, do pedreiro, do contramestre, do carpinteiro, das prostitutas, do responsável por uma estutura politica sindical, dos próprios politicos, enfim, de um cem número de atores que gravitam na nossa sociedade civilizacional como um todo-geral e ao fim ao cabo, a nós comum como Homens, independentemente das vivências que tenhamos, nos meios onde circulamos e das multifacetadas ruas por onde possamos ter andando ou vinhamos a andar.

    Contudo, neste suposto avanço educacional, incremental e proporcionado pelas tecnologias, começamos a esquecer-nos cada vez mais, que os educadores prioritários, os principais são, e cada vez mais hão de ser mais, os pais. Só que estes, enfim, sentiram-se na necessidade de "entrecruzar" os braços e deixarem ir na onda os filhos em direção a uma escola que em vez de estar cada vez mais estruturada, mais preparada e dotada de vigor, se encontra debilitada nos seus múltiplos caminhos-traçados, deixando de haver um balanceamento certo dos pêndulos, uma certa harmonia, um certo equilibrio desejado e desejável. O fenómeno do plágio (v.g.) é fruto desta descaracterização da construção das mentes, das consciências, das boas personalidades e onde as nossas pesquisas, as nossas seleções deveriam se alocar nos nosso(s) dia-dia(s).

    E seguimos em frente para outros géneros de personagens que detêm de igual modo inumeras responsabilidades de atuação, ainda que nem sempre tenham consciência disso, é óbvio que teremos de incluir aqui, os administradores e animadores dos grandes meios de informação e comunicação (e.g. rádio, televisão, jornais, cinema ...) que contribuem poderosamente para formar e modelar os espiritos, os corações e os gostos de todos nós. Todos estes setores, todas estas personagens das sociedades modernas, formam o grande corpo dos educadores e multiplicam os recursos educativos de que estas sociedades dispõem. É aqui que se centram as verdadeiras questões de uma construção que se desejaria saudável e forte, mas que não está acontecer pelos sucessivos desvios da construção dos adultos. Porquê?

    Porque isto tudo, não significa que todos estes atores estejam automaticamente à altura de exercerem essas responsabilidades de maneira satisfatória. Quantos pais ignorantes e desastrados bloqueiam o desenvolvimento dos seus filhos! Quantos médicos, para quem o doente não é mais que um "estudo de caso", um utente com um número, mais uma estatística, em vez de um Ser Humano a aconselhar ou a orientar! Quantos diretores de programas de rádios ou televisões, que descem ao nível mais baixo do público, que lisonjeam, e cujas paixões e interesses utilizam, seguindo os seus próprios caminhos da facilidade! Quantos professores são movidos por estados de autoestima enviesada de prejudicarem os seus alunos nas suas avaliações, contribuindo decisivamente para a desarticulação dos seus caminhos projectados, para mudanças radicais nas suas vidas!

    A utilização e exploração destes múltiplos recursos no sentido dos interesses do desenvolvimento educativo dos individuos e das sociedades modernas levantam, pois, problemas de competência e problemas de consciência.

    A palavra consciência deve aqui ser subentendida numa tomada de dupla entrada ou aceção: - a aceitação de responsabilidades e das consequências que implicaram para as diferentes formas de ação. Por outro lado, a competência também aqui é necessária, já que é preciso conhecer os objetivos atingir, os meios de comunicar, as mensagens, aquilo que é bom ou aquilo que é menos bom, aquilo que nos é útil ou prejudicial à natureza do Homem.

    Tudo o resto e aquilo que foi dito pelos demais participantes neste espaço e noutros, é precisamente fruto desta sumula visão retratada, quer estejam em ambientes de aprendizagens tradicionais, de e-learning ou b-learning ou outros digitais. Tudo parte de uma consquência, daquilo que deveriamos ter aprendido a "montante" e agora andamos a "desaprender" nesta nova caixa de pandora proporcionada pela internet e recursos digitais.

    Obrigado a todos.

  • Elena há 1766 dias

    Lembrando que para ser professor é necessário ter formação. Educador todo mundo pode ser, professor não. Muitos se esquecem disso. Pensam que o trânsito pelo conteúdo específico é o suficiente.

  • Ribães há 1766 dias

    Olá Elena.

    Eu diria em atalho de circunstância, que nem "todo o mundo pode ser educador" já que não "estão à altura de exercerem essas responsabilidades de maneira satisfatória" (cit. Ribães, dez.2014); e que para ser professor ou um bom professor é necessário acima de tudo ter Cultura [geral e especifica] e somente depois formação, esta última, uma espécie de compliance aditiva das anteriores. E é isto que se encontra muito esquecido hoje em dia (v.g.) nos círculos dos professores e daí os enviesamentos que surjem todos os dias no ensino/educação. Outrora ou no "meu tempo", partiamos mais da Cultura (ou estudos aprofundados dos temas) para as Formações; atualmente e ao ritmo que isto vai, parte-se muito mais das Formações para a Culturazinha de circunstância do dia-a-dia. E foi (quiça) nesta mudança do ponto gravitacional, muito provocado pelo uso intensivo da internet e de um conhecimento mais avulso, mais mediático, mais "past copy" mas nem sempre o mais correto e útil que o "estado de sitio" ou uma certa degradação do ensino se tem vindo acentuar transversalmente a todas as sociedades em todo o mundo, sendo este um dos riscos que esta nova sociedade educativa [digital] comporta no seu seio. É que para se ter Cultura temos que entrar num processo lento de aprendizagem e isto é muito doloroso para os atuais sistemas de ensino e em certa medida para os individuos que não tem a calma e o tempo de saberem esperar, de saberem autoconstruir-se; enquanto para ter Formações o processo é rapido e compilado com breves anuências de introduções apressadas e matérias debitadas a todo "gás" para que os formandos/professores tenham umas luzinhas sobre os assuntos. O Next day, poderá ser muito dificil para todos aqueles que acreditam que as formações possam estar na primeira linha para quem deseje ser professor.

    Em todo o caso, mais uma vez obrigado.