Sobre o Plágio na Internet - Há Regras no Caos!

 A rede é caótica. Não segue linearidade, não tem limite nem critérios para as informações que nela circulam. É fácil nos perdermos num percurso, mas também é fácil encontrarmos tudo o que precisamos. Talvez seja mesmo esta construção desorganizada que deixa para muitos a impressão de que este é um mundo sem regras. Porém, esta impressão não condiz com a realidade e é importante estarmos atentos às formas seguras de utilização da internet.

O plágio de conteúdos divulgados online acontece com muita freqüência e aqui vamos focar no caso dos estudantes. É recorrente professores receberem trabalhos elaborados, entregues por seus alunos, porém não feitos por eles e sim por outras pessoas desconhecidas que disponibilizaram o material em sites. Esta realidade é triste e o problema vai muito além do fato de aquele aluno ter sido aprovado sem ter aprendido. Futuramente este mal aluno estará solto no mercado de trabalho, com um diploma em mãos, porém sem preparo algum. Na sua prática profissional pode cometer erros cruéis que custem muito dinheiro ou que custem atém mesmo a vida de outros. As conseqüências do plágio são infinitas e raramente positivas. Essa conversa é muito séria!

Além deste profissional denegrir sua própria imagem, ele pode prejudicar uma empresa, todo um grupo, aqueles que confiaram em seu trabalho e tantas outras pessoas. Seu diploma logo perde valor para aqueles que sabem de sua incompetência e uma imagem negativa pode ficar associada à instituição na qual ele se formou. Neste caso, todos os profissionais que lá trabalham e os demais formandos também ficam em desvantagem, mesmo que tenham feito suas partes corretamente.

O dono da obra plagiada também é prejudicado, pois não recebe seus devidos créditos, reconhecimento pelo trabalho realizado. 

Tudo isso são consequências ainda de uma situação de plágio relativamente bem sucedida para o plagiador, claro. Pois há outra possibilidade que traz consequências drásticas para o mesmo: a descoberta! Hoje em dia existem sites que auxiliam professores e instituições a identificarem se determinadas produções foram copiadas da rede. O próprio Google pode ajudar a identificar de onde vieram certas palavras. O "turnitin.com" é outro recurso com esta finalidade. Há muitas formas de se identificar um plagiador. Então, cuidado!

Mas qual o problema se eu for descoberto? A resposta varia, mas é garantido que há um preço alto a se pagar por isso. Dentre as consequências, existem a expulsão da instituição, perda de algum título, punições legais, certamente uma mancha em sua imagem profissional, entre outras, que variam de acordo com o país, com a instituição e com os demais envolvidos na situação. Vale a pena se informar antes de arriscar.

Refletindo um pouco mais sobre este assunto, podemos pensar em outra hipótese para tantas cenas de plágio de conteúdos online que vai além da mera malvadeza dos usuários da rede. É certo que existem questões éticas envolvidas e que deveriam ser respeitadas em quaisquer circunstâncias. Não é muito aceitável que alguém em condições mentais dentro da normalidade acredite estar realmente aprendendo e desenvolvendo algum trabalho acadêmico respeitável ao clicar CRTL C + CTRL V inescrupulosamente. Roubar - coisas, pessoas ou ideias - é um ato condenável mesmo antes do advento da internet.

Ainda assim, devemos considerar que há uma notável falta de preparo para os usuários da internet. Em geral, não existe uma formação prática e nem ética para a utilização dos recursos online. As escolas não se responsabilizam por esta educação, os pais tantas vezes se abstém e as universidades esperam que seus ingressantes já venham esclarecidos. Há a internet, há recursos, há informações aos montes, mas não há um projeto de utilização de tudo isso. Já passamos da hora de encararmos isso!

O professor do séc XXI deve voltar sua atenção para a educação digital. As escolas, faculdades, universidades e outras instituições de ensino precisam parar de negar as tecnologias e incorporá-las às suas práticas, orientando os alunos, ensinando-os a fazer um uso consciente, ético, produtivo e enriquecedor dos conteúdos online. Sim, o que está disponibilizado é para ser usado. Não é para ser copiado meramente, mas é para ser pensado, discutido, aprofundado. Citações podem ser muito bem vindas quando os devidos créditos são dados aos autores. Esta simples informação já poderia reduzir significativamente o número de trabalhos plagiados. Trabalhar na prevenção do plágio certamente trará mais benefícios do que trabalhar na sua identificação e punição.

Para finalizar, citarei uma experiência pessoal.

Enquanto eu estava na faculdade presenciei algumas situações de plágio. Sempre existiram aqueles que, na pressa, na preguiça ou no medo da reprovação recorriam ao "Sr. Google" e faziam mau uso de seus recursos (ctrl C + ctrl V). Porém, era constante outra prática que não dizia respeito à internet, mas sim à cópia de trabalhos de alunos veteranos, os quais forneciam suas produções aos alunos mais novos, conscientes de que a cópia seria feita. Isso se dava muitas vezes por motivo de uma "amizade" (uso áspas pois me parece um mau amigo aquele que incentiva condutas não éticas e que não favorece o desenvolvimento intelectual do outro). Nem sempre o professor de determinada disciplina acadêmica era o mesmo no semestre seguinte, então a identificação do plágio ficava complicada. Com isso, alguns conseguiram notas suficientes para serem aprovados, ainda que tenham se formado sem terem adquirido o conhecimento necessário.

Após formada, fui procurada por colegas que ainda cursavam a faculdade e houve quem me pediu para que cedesse meus trabalhos. Neguei. Sempre cedi minhas anotações de aula para cópias ou trabalhos antigos e bem avaliados que pudessem servir de estudo a quem estivesse interessado em aprender. Ofereci-me diversas vezes para ensinar alguns conteúdos que dominava àqueles colegas que tinham mais dificuldade, assim como também recorri à ajuda de outros quando precisei. Porém, não ofereço minhas produções para dar notas a alguém que não se empenhou minimamente. Os motivos que me levam a pensar assim já foram aqui descritos e, mesmo antes de assistir ao vídeo ou de ler ao texto fornecido neste curso, já eram ideias que eu acreditava. Mesmo assim, a leitura e o vídeo foram muito prazerosos.

Imagens:

http://klat.com/sites/default/files/plagarisim.jpg

 http://direitoeinternet.legislador.art.br/imagesliterarias/plagio_literario.jpg

http://1.bp.blogspot.com/-y7n9U7IGZBw/Tx3sO8V29gI/AAAAAAAAAVo/ZU3L9lL6EH8/s1600/plagio-creativo.jpg

http://lowres.cartoonstock.com/education-teaching-student-university-internet-plagarising-essay-grin388_low.jpg

Comentários

  • Simões há 1717 dias

    O ato do plágio prejudica o desenvolvimento do pensamento crítico do aluno, consequentemente retarda a sua aprendizagem (aprendizado, no Brasil). Estudos efetuados referem que, em alguns casos, os professores não estavam suficientemente familiarizados com a Internet para orientar os seus alunos na avaliação dos websites; temos de ser humildes e dar a mão à palmatória. #ecoimooc14 e #ecoimooc14t1

  • Bruna Mazzer há 1717 dias

    Boas palavras, Simões! Desenvolver o pensamento crítico é essencial. De fato, não vejo nada que realmente compense o plágio quando analisamos para além das superfícies.