Saber viver com as TIC

A utilização dos recursos disponíveis na Internet é hoje feita por qualquer pessoa, está ao alcance de qualquer um. Como qualquer utilização de “massas”, surgem problemas éticos associados à origem dos recursos/conteúdos, devendo cada utilizador estar preparado para conseguir utilizar da melhor forma toda a informação disponível.

Quando nos debruçamos sobre domínios do saber, o foco vai quase instantaneamente para a educação e formação. Apesar de sabermos que a educação começa em casa, com pais e outros educadores, a responsabilidade tem tendência a ser direcionada para professores e/ou educadores institucionais.

As competências dos agentes educativos passam a ser vistas como as competências digitais que os professores devem possuir. Segundo vários autores, as competências a desenvolver incluem saber selecionar as fontes de informação, filtrando as mais pertinentes, fidedignas e credíveis dentro do enorme rol de informação disponível na rede global. Devem agora saber pesquisar, avaliar recursos e selecionar informação significativa. Com a Web, surgem também outras formas de escrita e leitura, sendo por isso necessário aprender outros tipos de textos como hipertexto, hipermédia… Estas competências não se limitam a ser aprendidas para si como utilizadores mas também como quem ensina esta nova forma de estar em aprendizagem. Há assim a exigência de uma educação para a pesquisa como processo, como mediador de um processo de aprendizagem cada vez mais autónomo. Para isso, antes de trabalhar os conteúdos e recursos com os quais somos presenteados apenas com um clic, o educador deverá conseguir questionar a validade dessa informação e, consequentemente, a validade do próprio sítio na Internet. Num projeto brasileiro, para educar para a nova era digital, são sugeridos vários critérios de avaliação da informação: moderação, afiliação, biografia dos autores, comparação com outras fontes.

Esta mudança de competências reflete a mudança do próprio papel que as tecnologias digitais podem desempenhar. A informação é vista como um fenómeno, feita por códigos que precisam de ser descodificados de forma certa, pois cada indivíduo que cria essa informação partilha com o mundo os seus conhecimentos, passando do foro pessoal para o social. Esta interação é feita numa escala global, com uma enorme multiplicidade de interações. A aprendizagem passa a ser assim direcionada ao uso, onde os utilizadores têm acesso à informação através do médium de acesso (ferramentas). O processo de pesquisa é feito como uma mudança conceptual, onde se associa a informação nova à informação já conhecida anteriormente. Para isso, é necessário saber o que se procura e para quê, em diversas línguas e formas de linguagem. Surge assim o Modelo integrado de consulta e busca de informação na Web e autores como Choo fazem a categorização de novos comportamentos, modos de pesquisa e formas de visionamento.

Estamos perante uma nova era, onde é necessário saber navegar de forma eficaz de maneira a não navegar à deriva.

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