Plágio: a epidemia do século

O sentido estrito de plágio é a apropriação indevida do trabalho intelectual desenvolvido por outrem, ou seja, reproduz-se ou subscreve-se ideias, resultados de investigação, informação que foi elaborada por outra pessoa sem a citar ou sem lhe atribuir os devidos créditos. Mas se citar e identificar devidamente os autores em que se baseia para escrever uma obra deixa de ser plágio.

Porém, o que há de criação num trabalho que é uma manta de retalhos de citações e de referências às ideias e ao trabalho de investigação desenvolvido por outros? Nada. O mérito de parafrasear autores, de resumir leituras, de citar diferentes obras não basta para ser autor. É preciso acrescentar algo de novo e essa é a grande dificuldade dos trabalhos académicos, mesmo ao nível das pós graduações. A expansão do ensino superior e a quase massificação de certos graus académicos, nomeadamente do mestrado, contribuem para a banalização das dissertações e para os fracos resultados em termos de criação. Pode não haver plágio em sentido estrito, mas se nada traz de novo... não deixa de estar ao nível da mera reprodução ou cópia dos trabalhos dos outros.   

Comentários

  • @na correi@ há 1751 dias

    É que não diria melhor.

    Mas não são a criação e a criatividade os primeiros elementos a serem assassinados ao longo do crescimento e da formação da maior parte das pessoas?

    Quando os próprios produtos que se pedem não são criativos ou não têm objetivos criadores como se pode acrescentar?

    A tentação de seguir o rebanho é avassaladora e a diferença mal vista e maldita...

  • Artur Coelho há 1750 dias

    "Plágio: a epidemia do século"? ébola, stuxnet, inteligência artificial descontrolada, capitalismo terminal, aquecimento global, pandemias globalizadas, crescimento das desigualdes que se cuidem... ;) (é para ser lido na descontra, com um sorriso, até porque como ex-mestrando que teve que ler muita coisa de cuja real pertinência teve fortes dúvidas, devo dizer que concordo com as suas observações.)

  • Maria Teresa Gomez há 1749 dias

    Talvez seja inato e difícil de combater.  Instintivamente os primatas aprendem por observação e imitação;  a moldagem ou socialização do pequeno ou jovem  é feita primordialmente desta maneira.  Aplaudimos e celebramos quando imitam perfeitamente a letra cursiva, calcam um desenho, reproduzem exatamente um procedimento. Mas eis que de repente lhes dizemos que se imitam o trabalho de outro... pau, pau! ecoimooc14t1

  • Artur Coelho há 1749 dias

    maria teresa gomez, não haverá aí uma confusãozita entre plágio e imitação/role play? dou-lhe um exemplo muito prático: quando estudante de artes, imita-se muitas vezes o estilo pictórico de alguns artistas marcantes. faz parte do processo de aprendizagem e busca de voz individual. mas não é plágio, são trabalhos pessoais com influências demasiado óbvias. ninguem confunde um Dali com aqueles que se inspiram nele. Nem un Pollock, por muito que achem o expressionismo abstracto fácil de imitar. plágio é pegar numa obra já criada e apresentar como sua. algo até agora possível mas difícil, mas que com as tecnologias digitais é tão fácil que o difícil é perceber o que é original e o que é plágio. para se rirem um bocado, deixo-vos um link com exemplos diários de... enfim, o título do blog explica-se bem: you thought we wouldn't notice it - http://youthoughtwewouldntnotice.com/blog3/