"Com a mesma medida que julgares, serás julgado" (Jesus, s.d)

Sempre há sido difícil lidar com situações de plágio. O processo de detecção começa quando julgamos a capacidade do estudante para escrever um texto (redação e conteúdo), iniciando-se logo o largo percurso de procurar a fonte do plágio; porque para afrontar o estudante com a falta cometida devemos contrastar o seu texto com o original.  Se se tratou de uma alteração menor, devemos demostrar então que não se produziu uma paráfrase.  Podemos gastar horas nisto. Várias ferramentas disponibilizadas em internet poupam-nos o trabalho de localizar a fonte, mas não do resto do processo. Quantos de nós professores não nos vimos tentados a fechar os olhos e pretender não ter detectado nada para evitar essa maçada; mas não, a ética não nos permite fazê-lo.

O que sucede depois é talvez a parte mais desagradável - principalmente quando se ensina a adultos - que é confrontar o estudante com a falta que cometeu.  A maioria da vezes alegam ignorância tanto sobre a natureza da falta como das consequências, a pesar de que ao iniciar cada curso saliento muito o tema com amplo repertório de exemplos e disponibilizando-me caso requeiram ajuda para parafrasear um segmento de texto ou citá-lo apropriadamente.  

Mas o inesperado aconteceu quando um dos meus alunos de um curso online, quem fora convocado por mi a uma reunião presencial para discutir o plágio de um dos seus trabalhos, argumentou – como artilharia defensiva – que se eu o podia fazer ele também.  Espantada e envergonhada corroborei que no texto onde instruía aos alunos sobre uma atividade que deviam realizar, tinha usado um paragrafo da bibliografia do curso - embora entre aspas  - sem citar o autor.

"Com a mesma medida que julgares, serás julgado" (Jesus, s.d)

Comentários

  • Hélder Pereira há 1811 dias

    Olá Maria Teresa Gomez,

    Interessante contributo o seu!

    Realmente, sempre foi e sempre será difícil lidar com situações de plágio, daí a necessidade de incutirmos os valores adequados aos nossos alunos e sermos o exemplo mais significativo nas práticas que desenvolvemos.

    Até já!

    #ecoimooc14t0

  • Sandra Galante há 1810 dias

    Também li com bastante interesse! Na verdade, quando se trabalha com adultos, o problema assume uma dimensão e uma gravidade diferentes. Muitas vezes, constatamos que aquele que plagia evidencia efetivamente (e muitas vezes descaradamente!!!) falhas de caráter, manipulando e a interpretando de forma muito subjetiva os argumentos. #ecoimooc14t1

  • Célia Mafalda há 1810 dias

    Pois é, a questão de plágio torna-se muito complicada, principalmente, quando os "infratores" são adultos ou quase. Como professora, já fui confrontada com uma situação "relativamente grave" por parte de uma aluna do 12º ano: considerando todo o contexto do mesmo, fotocopiei o documento plagiado e anexei ao trabalho da aluna, no qual coloquei o seguinte comentário: " De acordo com o original". Ao receber o seu trabalho, a aluna continuou a argumentar que tivera as mesmas ideias e o mesmo discurso - foi difícil fazer com que se rendesse às fortes e seguras evidências!... Foi pura teimosia!

    #ecoimooc14, #ecoimooc14t1

  • Welinton Baxto há 1810 dias

    Olá Maria Tereza, a  solução deve ser positiva, isto é, mostrar aos alunos como atuar como estudiosos responsáveis e escritores. O mesmo tom deve ser refletido no programa. Temos visto muitos currículos em que as penalidades pelo plágio são estabelecidas nos mínimos detalhes, sem modelos positivos de comportamento ou mencionados. Certamente, agora sabemos que supera a motivação positiva a variedade negativa.