O trigo, o joio e a peneira

Boa tarde a todos ;)

Fluxo de conteúdos... avalanche de informação e recursos... descarga multimedia... eis a Internet.

Pensamento superficial... esvaziamento pelo excesso... vortéx do desperdício de tempo... caos... eis os epítetos que, embora dados à Internet, refletem mais quem a usa do que o que ela representa. Naturalmente não pode ignorar-se que a tecnologia tenha reflexos na cultura, na sociedade e nas pessoas, que as suas dinâmicas imprimam transformações, mas não nos desculpemos no determinismo tecnológico, nós que deixamos que o pensamento se esvazie, o tempo se exceda e o vazio nos preencha.

Se damos conta que isso nos acontece, não agimos? Se percebemos o avanço descontrolado das coisas, não o travamos? Não, não o faremos se não tivermos as tais competências que em vários contextos já foram sendo aqui referidas. Dependem elas das tecnologias? Articulam-se com elas, mas são-lhes anteriores e posteriores. As competências ideais são as que podem ser usadas em qualquer contexto e nos preparam para sermos eficientes em qualquer circunstância.

Separar o trigo do joio implica, antes de mais, a experiência de manuseio da matéria-prima para  reconhecer o útil e o desperdício. Recorre-se à peneira, para tornar mais eficiente o processo, mas também é preciso saber manipulá-la. Aprende-se observando, experimentando, acertando e errando, seguindo exemplos e metendo as mãos na massa. Depois percebe-se que a peneira pode ter outras utilidades e que pode ser usada noutros contextos... e a peneira reutiliza-se e com os seus sub-produtos recria-se.

Educar é proporcionar esta peneira multifuncinal que funciona em qualquer ambiente. Disse-o já noutros contextos: a mim, quem me educou para as novas tecnologias foi o meu avô, que raro as viu e mal as experimentou. Foi ele, professor primário, quem me ensinou a peneirar, a versatilizar as ferramentas, a criar novos produtos e a tirar enorme prazer dos processos de construção.

Que quero eu dizer? Se somos professores, em vez de apontarmos o dedo a uma geração amorfa e acrítica, colocarmos culpas nas ferramentas e andarmos à procura de recursos que detetem plágio, não nos cabe por a mão na consciência e pensar até que ponto estamos a contribuir para o vazio mental, aprender a manusear as ferramentas e tirar delas o melhor partido e a educar para a adequada pesquisa, seleção e tratamento dos dados?

Se todos os alunos vão atingir as competências necessárias? Não, mas isso não é culpa das tecnologias... e muitas vezes nem do professor.

Aqui ficam alguns recursos que poderão eventualemente ser úteis:

1.Guião de pesquisa de informação 1, guião de pesquisa de informação 2

2. Guião de validação de sítios

3. Manual de literacia na Internet

Mas há muitos mais espalhados pela web... muitos de bibliotecas escolares. Estamos a usá-los?

Um abraço e até breve,

ana