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Como orientar os nossos alunos sobre o que deve e o que não deve ser publicado?

Para responder estas questões, vou referenciar o artigo que li a respeito deste assunto e que é muito pertinente nesta discussão: “O plágio por meio da internet: uma questão ética presente desde o ensino médio”, cuja referência deixo à disposição de todos, pois no texto há boas possibilidades de uma análise mais profunda. Vou destacar alguns parágrafos do texto considerado, que vão alavancar a possibilidade de uma opinião que mescla alguns parâmetros da pesquisa com a nossa vivência como professores. E porque considero que nós “entramos” melhor num assunto com esta “invenção” de ler algo interessante e colocar algumas “pitadas” opinativas, que desenvolve nossa expressão textual, mesmo que a modifiquemos diversas vezes antes de enviar o resultado final. Mas considero que assim é que devemos fazer com os nossos alunos também, pois afinal todos melhoram um pouco o conhecimento a respeito do assunto e ao mesmo tempo também todos nós medimos a preocupação com o assunto em pauta, pois...

 pela mídia brasileira, seja ela impressa, seja virtual, encontramos muitos alertas sobre o problema do plágio, sendo vários os textos publicados em jornais. Que o “Mau uso da internet sabota estudo”, QUE os métodos adotados pelos professores para enfrentar a oferta de tarefas escolares prontas por determinados sites SÃO INEFICAZES, e que JÁ É COMPROVADA a fala de alguns alunos do Ensino Médio, pois eles afirmam que se utilizam desse recurso, ou seja, copiar/colar, QUANDO o foco mais inquietante para os professores ERA no Ensino Superior.

 

A Internet, sabemos, retirou o preciosismo da análise textual, as comunicações se processam rapidamente nas redes sociais e podemos perceber até pelos fóruns de uma disciplina que nós mesmos, pela pressa ou até mesmo para vermos rapidamente uma tarefa concluída, expomos nossa opinião muitas vezes com poucas palavras e sem um embasamento mais sólido. Então, não raras vezes, nossa participação se torna inócua e desproporcional ao esforço dos tutores e formadores que estão  do outro lado. Nas escolas, já há um ponto que nem precisa mais de observações complementares: os professores deverão se instrumentalizar com mais frequência, pois até mesmo para determinar tarefas escolares eles terão que mudar.

Sim, os professores terão que aprender – para depois ensinar -  que um texto, seja ele opinativo ou mesmo com a grandeza de um artigo - deve ser construído passo a passo, com leituras complementares, discussões e comentários que vão aos poucos formalizando a escrita e participação textual efetiva do pesquisador.

 Senão, nós não precisaríamos de Orientadores em nossos MESTRADOS e DOUTORADOS!

São pequenas verdades como essas que se misturam a outros problemas que temos, dentro e fora da sala de aula, quando nos deparamos com políticas e fatos que alteram possibilidades de uma dedicação mais profunda, porém todos estes fatos externos são os que mais nos afastam das salas de aula atuais, mais virtuais do que presenciais.

E ainda nos deparamos com o fato já crescente, que antes era uma prerrogativa ou quase certeza nos alunos do ensino superior, vai acabando ser de nossa responsabilidade também, porém por um motivo bastante significativo – e já compreendido pelos docentes de maneira bem óbvia...

 Observa-se com maior profundidade o plágio no Ensino Médio. Nessa investigação, são examinadas as razões pelas quais houve um aumento da incidência de plágio e cópia e como os alunos exploram a Internet para a execução de tarefas solicitadas pelos professores. O plágio, conforme resultados de pesquisas, acontece devido ao crescimento de informações fornecidas pela Internet e ao desenvolvimento de habilidades dos alunos do Ensino Médio em usar a rede.

 Esta observação, que me deixa e com certeza, muitos professores assustados, representa a realidade dos dias atuais, onde o giz e o apagador persistem e resistem às melhorias necessárias nas escolas públicas, principalmente aquelas que PODEM mostrar outras direções para o ensino e aprendizagem e que, felizmente, podemos compartilhar com professores que insistem em se atualizar permanentemente, fruto de seus próprios esforços, mesmo que eles signifiquem um gasto adicional e monstruoso com tempo, computador e provedor de Internet.

Então, de forma ligeiramente conclusiva, vamos observar se estamos preparados ou não  – nós e as instituições - para tanta discussão sobre plágio na captura e difusão da informação. E se estamos de acordo com as “promessas” contidas neste documento:

O plágio, na utilização da Internet, vem sendo muito discutido devido à frequência de sua utilização no meio escolar. Ao praticá-lo, comete-se um delito, que viola uma proteção legal a todo e qualquer tipo de criação intelectual veiculada pela Internet. De modo a dar suporte aos professores no combate ao plágio, diversas organizações internacionais têm disponibilizado, na própria Internet, “dicas” e instrumentos de detecção de plágios.

 Na verdade, o que aparecem nestas linhas são ameaças que não resolvem o problema ou mesmo não encaminham outras soluções, Estão postas nestas afirmações duas interessantes polêmicas: Porque o meu delito será punido, se nas redes televisivas atualmente delitos  de maiores proporções são muitas vezes relativizados ou ignorados? Ou ainda, de que valem “dicas” e instrumentos de detecção, ou ainda, instrumentos de repressão, sem uma solução que possa partir do educador – em primeiro lugar, com mudanças na abordagem dos conteúdos? 

 Na pesquisa realizada, encontramos também as seguintes observações, de que o aluno deve sempre:

... saber selecionar com cautela as informações; elas não podem ser de  única fonte; as informações não são confiáveis; não há segurança nas informações encontradas;  alguns professores contestam a segurança das informações;  é preciso evitar cópias de informações.

 E então nos perguntamos novamente, como este aluno irá conseguir, mesmo que tenhamos todos os instrumentos, a rede, o laboratório, o editor de textos, sem a nossa presença “atualizada” para cumprir todas as fases? Como vamos explicar a eles quais informações são ou não confiáveis, se nem mesmo a escolha de um livro didático, algumas vezes, é feita de maneira “uniforme” em nossas escolas?

Claro que precisamos evitar cópias de informações e contestar a sua segurança ou veracidade, mas podemos concluir que para que tudo isso exista é necessária e primordial sim, a Internet, onde outras vozes podem ser sentidas, conteúdos debatidos, mesmo sem a “formalidade ideal” dos atuais “formatos” de artigos.

Felizmente podemos constatar hoje que dificuldades assim já têm sido minimizadas pelas maneiras abreviadas de se compor uma referência bibliográfica ou mesmo da estruturação de um texto com base em “modelos”, que ainda não são largamente utilizados por falta de divulgação mesmo entre os pesquisadores.

Então posso concordar, neste final de reflexão, com este BENÉFICO parágrafo do texto, que felizmente nos dá um pouco de alento e pode muito nos ajudar no debate com outra opiniões sobre o tema considerado, para que possamos, em grupos, encaminhar e compartilhar outras possibilidades com pessoas que, por muitas razões, tem  menos contato do que nós com as novidades eletrônicas:

As concepções de uso da Internet, além das já mencionadas, são as seguintes: importante fonte de pesquisa; é usada como suporte nas tarefas; ajuda em trabalhos e pesquisa; forma de acesso a notícias atualizadas; contém informações não encontradas em livros; melhora a comunicação entre os colegas, por meio da troca de e-mails, onde são trocados trabalhos, textos e mensagens pelo MSN; é empregada na solução de dúvidas relativas ao conteúdo escolar e como recurso de aprofundamento do conteúdo escolar. 

 Muito bem, então o que nos falta?

 Ao meu entender, a nossa atuação decisiva em tarefas que mesclem pesquisa e produção textual passo a passo, como eu o fiz nesta análise, para resolver “a falta de maturidade do aluno, fato que vem requerer uma atitude dos envolvidos no ensino ( nós, é claro), diante da Internet, com sua riqueza de informações e conhecimento, para que  realmente se constitua como uma fonte de pesquisa e não de prática de delito, pelo plágio”.

 E eu completaria, aqui, esta é uma preocupação que deve ser nossa e transmitida aos nossos alunos, recusando planejar, agir e construir textos mostrando procedimentos inexequíveis que vão apenas se resumir em afastamentos – mesmo que sejam temporários apenas - do uso dos instrumentos digitais, tão úteis para a nossa capacidade de expressão.

 DEVEMOS SIM, LER MAIS, ESCREVER, RESUMIR, DEBATER, REDIGIR CONCLUSÕES...

E REFERENCIAR, MESMO QUE ERRONEMANTE, OU FORA DAS TAIS DITAS "NORMAS", JÁ NUM PRIMEIRO MOMENTO, FONTES DE CONSULTA PRIMORDIAIS PARA A NOSSA PRODUÇÃO.NUNCA DEIXAR PARA FAZER ISSO DEPOIS!!

Comentários

  • Margarida Dias há 1429 dias

    Parabéns, colega, pela sua brilhante exposição sobre o tema. Sublinho estas três últimas frases "ler mais, escrever, resumir, debater, redigir conclusões...e referenciar, mesmo que erroneamente...".

    Sabe que desde que se instalou a rede de bibliotecas em Portugal, os/as professores/as bibliotecários têm vindo a desenvolver um trabalho excelente ao nível da promoção da leitura. A forma como se estruturam os trabalhos de pesquisa e, por conseguinte, o modo de referenciar as fontes já vem sendo trabalhado desde o 1º Ciclo. Pode perguntar-se como é que acontecem mais tarde essas ituações de plágio, em fases mais avançadas de escolaridade? Dá que pensar, não dá?