Informação vs. Conhecimento

Vivemos, sem dúvida, na Sociedade da Informação!
Informação essa cada vez mais digital e com uma taxa de crescimento diário elevadíssima. Tal deve-se ao desenvolvimento exponencial da Internet e das tecnologias digitais, a que temos assistido nos últimos 20 anos! 

Tendo como ponto de partida a conceção de Castells, Coutinho e Lisbôa (2011) consideram que "a revolução tecnológica deu origem ao informacionalismo, tornando-se assim a base material desta nova sociedade, em que os valores da liberdade individual e da comunicação aberta tornaram-se supremos."

Tal teve implicações quer na nossa cultura, no modo como interagimos e comunicamos com os outros, como na própria economia, onde a tecnologia é agora "considerada uma ferramenta indispensável na manipulação da informação e construção do conhecimento pelos indivíduos(...)" (idem).
 

No entanto, penso que ainda estaremos longe de viver numa Sociedade do Conhecimento! Isto porque, o simples facto de termos acesso à informação não é sinónimo de conhecimento, ou de aprendizagem (adaptado de Coutinho e Lisbôa).

Segundo Castells (in Coutinho e Lisbôa, 2011, pp. 9): "O que caracteriza a revolução tecnológica atual não é o caráter central do conhecimento e da informação, mas a aplicação deste conhecimento e informação a aparatos de geração de conhecimento e processamento da informação/comunicação, em um círculo de retroalimentação acumulativa entre a inovação e seus usos”.

Ou seja, é necessário haver manipulação da informação e construção de nova informação, que então será assimilada e aplicada em novos contextos, fruto de um processo de aprendizagem e de aquisição de conhecimento!

Mas este não é um processo fácil e livre de obstáculos...


Assim sendo, penso que é fundamental salientar as mudanças que a Internet suscitou no modo como "concebemos conhecimento" (Paiva, pp. 40):

  • "O aumento contínuo do volume de informação disponível implica a necessidade de construir e desenvolver novas competências que facultem aos utilizadores selecionar e organizar a informação significativa (...)";
  • "As mudanças nas formas de codificar a informação, (...) pássamos de códigos verbais a códigos multimédia escritos em hipertexto (...)";
  • "As modalidades de acesso à informação (também) mudaram. Procuramos maior interatividade e participação, e também um carácter mais lúdico, nos meios/recursos usados".
Estas mudanças afiguram-se como desafios, duplos, para o professor! Primeiro, porque tem de trabalhar na construção e atualização do seu próprio conhecimento e segundo, porque tem que orientar, ensinar e apoiar os seus alunos na exploração da Internet e das suas ferramentas e na avaliação/reflexão crítica da informação encontrada.

 

Referências:

  • Coutinho, C.; Lisbôa, E. (2011). SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, DO CONHECIMENTO E DA APRENDIZAGEM: DESAFIOS PARA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI, Revista de Educação, Vol. XVIII, nº 1, pp. 5-22
  • Paiva, A. (s.d.). Utilização da Internet no âmbito da informação: acesso e implicações no modo de conhecer. Capítulo II, pp. 39-51

 

Comentários

  • artinf há 1483 dias

    há pessoas para quem esta coisa é mais uma religião e como sabemos a religião sempre foi adversa ao  conhecimento

  • Cristina Pinto há 1483 dias

    Boa tarde Bárbara

    Sem dúvida a maior disponibilidade e acesso de informação não significa que haja uma estruturação cognitiva para o conhecimento e por isso a respetiva aprendizagem. As novas tecnologias da sociedade de informação são uma ferramente que nos pode ajudar em diversas atividades mas é necessário que a orientação e acompanhamento dos alunos perante as atividades se verifique. Por outro lado, e como diz, requer que nós professores tenhamos o continuo desafio de uma atualização e conhecimento das ferramentas que dispomos. É sem dúvida um grande desafio!!!

    Continuação de bom fim de semana

    Cristina

    #ecoimooc3#ecoimooc3t1

  • Teresa Oliveira há 1467 dias

    Olá Bárbara,

    Gostei muito da sua exposição, bem estruturada e documentada. Se conceptualizarmos o connhecimento como diz a colega Cristina Pinto, como resultado dima estruturação cognitiva da informação á moda do século XX, então também concordo que estamos longe da sociedade de conhecimento. Mas será que a ideia de conhecimento no seculo XXI é ou deverá de ser diferente? E aí poderemos dizer que estamos numa sociedade de aprendizagem para um conhecimento que é verdadeiro até ... agora?

    Bom trabalho

    Teresa Oliveira