Colaboração, a cooperação e a assertividade

Thomas (1992) revela-nos as intenções estratégicas do comportamento dos indivíduos face ao conflito, como uma lógica de duas dimensões: «a assertividade (o grau em que cada uma das partes procura satisfazer os seus próprios interesses) e a cooperação (o grau em que cada uma das partes se preocupa activamente com os interesses da outra parte)» (Carvalho Ferreira et al., 2011: 588).

Perante o conflito o comportamento dos indivíduos vai caracterizar-se por 5 intenções de comportamento estratégico: «competitividade (assertividade e não cooperação), colaboração (assertividade e cooperação), evitamento (não assertividade e não cooperação), acomodação (não assertividade e cooperação) e compromisso (um misto em assertividade e em cooperação).» (Carvalho Ferreira et al., 2011: 588-589)

Carvalho Ferreira et al. (2011) apresenta-nos a colaboração como a «procura da satisfação do interesse de ambas as partes, o que requer muita paciência e grande empenhamento», é um processo por etapas, pois implica descobrir interesses escondidos, flexibilidade, diferimento de benefícios, controlo de resultados e muitas vezes a solicitação de intervenção de terceiros. Adequa-se à melhoria das relações de trabalho, quando os interesses são importantes e complexos, exige o envolvimento das partes, existe disponibilidade de tempo para resolver o problema e este não se pode resolver sozinho. Não se aconselha a colaboração quando o assunto é simples, quando o assunto é urgente e quando as partes não possuem competências para a sua resolução.

A colaboração é muito mais que cooperação, é exigência individual de satisfação dos seus próprios interesses sem descuidar dos interesses da outra parte.

A colaboração adequa-se à comunicação assíncrona porque exige tempo e ao modelo de aprendizagem que utiliza a comunicação assíncrona, porque os assuntos são importantes e complexos e exige envolvimento das partes para uma implementação de sucesso.

Concluo de modo simples que o que transforma a cooperação ou a capacidade de satisfação das necessidades dos outros, em colaboração é a assertividade, a exigência pessoal ou individual de satisfação dos seus próprios interesses.

Cumprimentos.

Henrique Velho