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ARTEFATO DIGITAL 2: “O uso do facebook e do youtube para promover a aprendizagem colaborativa: experiências práticas

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UNIVERSIDADE ABERTA DE PORTUGAL - UAb

 

“ECOiMOOC - CURSO DE COMPETÊNCIAS DIGITAIS PARA PROFESSORES – 3ª EDIÇÃO”

TEMA 3 – PROMOVER A APRENDIZAGEM COLABORATIVA COM FERRAMENTAS DIGITAIS

ATIVIDADE 3 - APRENDIZAGEM COLABORATIVA E COOPERATIVA

ARTEFATO DIGITAL 2: “O uso do facebook e do youtube para promover a aprendizagem colaborativa: experiências práticas”

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Estudante: Gerson de Freitas Junior nºUAb - 1500952

Doutoramento em Sustentabilidade Social e Desenvolvimento – DSSD/UAb

Contato: 1500952@estudante.uab.pt #ecomooc3t3 #ecoimooc3 e #artefacto2

 

RESUMO

 

Este artefato foi elaborado com o objetivo de relatar experiências práticas sobre o uso das redes sociais “facebook” e “youtube” em atividades de promoção da aprendizagem além do espaço formal das aulas. A partir de sugestões feitas por um avaliador do Ministério da Educação do Brasil (MEC) e devido ao limitado tempo disponível durante as atividades formais, e como forma de atender melhor os estudantes em relação à resolução de dúvidas, disponibilização de documentos, divulgação de eventos e cursos, vagas de estágio e de emprego, além de aprofundar a comunicação e proporcionar a aprendizagem colaborativa e não linear, foram criados grupos no facebook. Em grupos já existentes e nos criados posteriormente, passou-se a publicar postagens regularmente, de forma a incentivar o uso pelos estudantes, de forma que colaborassem com a manutenção do espaço virtual e continuassem as postagens, compartilhando informações pertinentes a toda a comunidade acadêmica, evitando-se a competitividade. Dois resultados alcançados foram o uso do youtube pelos estudantes para divulgar suas experiências de aprendizado e o uso de todo histórico dos grupos como um dos itens que evidenciam o atendimento aos estudantes durante avaliações do MEC ocorridas posteriormente. A partir de indicadores como número de postagens, curtidas e novos membros, poder-se-á alcançar resultados mais precisos sobre a efetividade do uso do facebook no processo de aprendizagem colaborativa.

 

Palavras-chave: aprendizagem colaborativa, facebook, youtube, redes sociais.

ABSTRACT

 

This paper was designed with the objective of describing practical experiences on the use of social networking "facebook" and "youtube" in learning promotion activities beyond the formal area of classes. From suggestions made by an appraiser of the Ministry of Education of Brazil (MEC) and due to the limited time available during formal activities, and in order to better serve students on the resolution of doubts, production of documents, disclosure of events and courses, apprenticeship positions and jobs, and strengthen communication and provide a collaborative, non-linear learning, groups were created on Facebook. In existing and raised in later groups, it started to publish posts regularly in order to encourage the use by students in order to collaborate with the maintenance of the virtual space and continue posts, sharing information pertinent to the entire academic community, avoiding competitiveness. Two results were the use of youtube by students to spread their learning experiences and usage history of all groups as one of the items that show the service to students during assessments of MEC occurred later. From indicators such as number of posts, tanned and new members will be able to achieve more accurate results on the effectiveness of Facebook use in collaborative learning process.

 

Key-words: collaborative learning, facebook, youtube, social networks.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Este trabalho (um artefato digital) aborda o uso de redes sociais, especificamente o “facebook” e o “youtube”, como ferramentas cibernéticas (online) de contribuição ao processo de aprendizagem colaborativa, de ensino não formal e não linear.

 

As duas redes sociais cibernéticas são, de forma resumida, páginas eletrônicas (web sites) criadas há menos de duas décadas (Facebook em 2003 e Youtube em 2005), disponíveis na Rede Mundial de Computadores, a Internet, acessíveis pelos seguintes endereços eletrônicos: www.facebook.com (Facebook) e www.youtube.com (Youtube).

 

Na sua página oficial, o Facebook define-se como um produto/serviço que tem por missão “oferecer às pessoas o poder da partilha, tornando o mundo mais aberto e interligado (FACEBOOK, 2013a, apud CORREIA e MOREIRA, 2014:168).

 

O Facebook pode ser definido como um website, que interliga páginas de perfil dos seus utilizadores. Tipicamente, é nestas páginas que os utilizadores publicam as mais diversas informações sobre eles próprios, e são também os utilizadores que ligam os seus perfis aos perfis de outros utilizadores. No essencial, a experiência do Facebook permite que os utilizadores se envolvam em três tipos de atividades: publicar informação pessoal relevante numa página individual com o seu perfil, ligar- -se a outros utilizadores e criar listas de amigos, e interagir com outros utilizadores (BUFFARDI e CAMPBELL, 2008; TUFEKCI, 2008, apud CORREIA e MOREIRA, 2014:168).

 

Sea como sea, 2006 fue un año disruptivo para los llamados social media, y desde entonces hasta hoy se ha visto imparable el fenómeno, porque todo el mundo se ha dado cuenta de que esta es una oportunidad para construir un nuevo tipo de entendimiento internacional. Y fue en este contexto donde nació otra historia de garaje en Estados Unidos, fue en febrero de 2005 en San Bruno (California) cuando YouTube fue creado con el eslogan Broadcast Yourself, “trasmite tú mismo”, de modo que el mismo nombre indicaba el motivo por el que estaba llamado a revolucionar el mundo del vídeo y de la televisión tal y como lo conocíamos. YouTube es un sitio web que permite a los usuarios de manera gratuita subir, ver y compartir vídeos (PRIETO, 2012:4).

 

As citadas redes sociais permitem aos usuários o acesso gratuito após o preenchimento de um cadastro no qual são inseridas informações pessoais, como nome, idade (com idade mínima), correio eletrônico (email), etc. Após a efetivação do cadastro, os usuários passam a ter acesso a ferramentas digitais variadas que possibilitam usos múltiplos, como arquivo de fotos (álbuns), vídeos, compartilhamento de informações, etc., sendo o objetivo principal seja estabelecer relações entre pessoas no caso do facebook (amigos, colegas de estudo e de trabalho, familiares, conhecidos, entre outros) e de acessar e compartilhar vídeos no caso do youtube.

 

A criação e difusão de redes sociais é um fenômeno muito representativo do período contemporâneo, de crescente importância das ferramentas digitais na vida social, evidenciando profundas e rápidas mudanças nas formas de comunicação – período este considerado por vários autores como o de “Revolução Digital”, sendo um dos principais processos da Globalização no século XXI.

 

Com mais de 800 milhões de utilizadores ativos, o Facebook está a mudar a forma como centenas de milhões de pessoas se inter-relacionam e partilham informação. As redes sociais digitais, em geral, e o estudo do Facebook, em particular, têm sido temáticas impulsionadoras de numerosos trabalhos de investigação que geram, quase diariamente, uma vasta literatura. Estes trabalhos, em rápido crescimento, têm acompanhado o desenvolvimento mediático do Facebook. À medida que os cientistas sociais avaliam o impacto desta rede em termos sociológicos, reconhecem a sua utilidade como ferramenta de observação comportamental, de teste de hipóteses e de recrutamento de participantes num ambiente natural (CORREIA e MOREIRA, 2014:168-169).

 

Além das redes sociais objeto deste trabalho, há muitas outras, como o Twitter, o Instagram, o Linkedin, etc., multiplicando as formas de relações sociais online, integrando milhões de pessoas em todos os continentes.

 

Tendo em conta as estatísticas decorrentes de estudos desenvolvidos neste âmbito, tudo indica que essa missão foi e continua a ser cumprida. De fato, a quase omnipresença do Facebook é surpreendente: em junho de 2013, o Facebook registou cerca de 1.150 milhões de utilizadores, número superior à atual população europeia (Facebook, 2013a, apud CORREIA e MOREIRA, 2014:168).

 

Dessa forma, considerando a crescente importância das redes sociais na vida dos indivíduos, destacando-se o uso na área educacional, este trabalho trata de experiências práticas relacionadas à utilização de redes sociais como ferramentas efetivas e benéficas para a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem.

 

O Facebook como suporte ao processo pedagógico é uma estratégia que se utiliza diferentes atividades online, permitindo ao professor combinar, em um mesmo curso, as vantagens já evidenciadas de ser um canal de comunicação mais aberta e informal o que resulta em um ambiente de aprendizado mais rico pelo fato de contar com a familiaridade da maioria dos participantes com o uso desta ferramenta, favorecendo o envolvimento dos alunos no processo de ensino e aprendizagem (TRINDADE et al, 2014:2).

 

 

O uso de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) no processo de ensino-aprendizagem é um grande desafio, pois “alfabetizados digitais” (os professores) precisam utilizar essas ferramentas para proporcionar uma formação de melhor qualidade para “nativos digitais” (a maior parte dos estudantes), conforme Prensky (2001, apud COSTA e OLIVEIRA, s/d:6). No entanto, é possível construir um novo contexto educacional, mais rico e profundo, integrando conhecimentos e experiências de forma colaborativa entre professores e estudantes (aprendentes).

 

 

 

 

 

 

OBJETIVO

 

Também se configura como objetivo relacionado à elaboração deste texto, a entrega de Artefato Digital 2, necessário para a obtenção de Declaração de Completação da 3ª Edição do Curso de Competências Digitais para Professores (ECOiMOOC).

 

JUSTIFICATIVAS

 

Conforme exposto anteriormente, o período atual caracteriza-se por profundas mudanças nas formas de comunicação, de forma tão integrada à tecnologia, à ciência e às relações sociais, que se configura geograficamente como expressão do que Milton Santos designou como meio técnico-científico-informacional: “O meio técnico-científico-informacional é um meio geográfico onde o território inclui obrigatoriamente ciência, tecnologia e informação” (SANTOS, 1994:20).

 

Além da justificativa contextual, é possível basear o uso de redes sociais (e suas tecnologias) no processo de ensino-aprendizagem a partir de documentos norteadores da Educação brasileira, em diversas escalas de jurisdição e nos diferentes níveis de ensino. Abaixo, consta trecho da Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais:

 

É indiscutível a necessidade crescente do uso de computadores pelos alunos como instrumento de aprendizagem escolar, para que possam estar atualizados em relação às novas tecnologias da informação e se instrumentalizarem para as demandas sociais presentes e futuras (BRASIL,1997:67).

 

HIPÓTESE

 

A hipótese na qual se sustenta a reflexão deste trabalho é a de que o uso de redes sociais pode contribuir positivamente para o processo de aprendizagem colaborativa. Dessa forma, segue o método indutivo, considerando-se aspectos específicos para se chegar a constatações de caráter geral.

 

DESENVOLVIMENTO E EXPERIÊNCIAS

 

Conforme exposto anteriormente, a partir de sugestões feitas por um avaliador do Ministério da Educação do Brasil (MEC) e devido ao limitado tempo disponível durante as atividades formais, e como forma de atender melhor os estudantes em relação à resolução de dúvidas, disponibilização de documentos, divulgação de eventos e cursos, vagas de estágio e de emprego, além de aprofundar a comunicação e proporcionar a aprendizagem colaborativa e não linear, foram criados grupos no facebook.

 

Em grupos já existentes e nos criados posteriormente, passou-se a publicar postagens regularmente, de forma a incentivar o uso pelos estudantes, de forma que colaborassem com a manutenção do espaço virtual e continuassem as postagens, compartilhando informações pertinentes a toda a comunidade acadêmica, evitando-se a competitividade.

 

As experiências consideradas neste trabalho têm sido vivenciadas no exercício profissional nas seguintes instituições de Ensino Superior:

 

  • Núcleo de Educação a Distância da Universidade de Taubaté – NEAD/UNITAU: nesta instituição, ocupou-se os cargos de Professor e Coordenador dos Cursos de Geografia e História na modalidade de Ensino a Distância e de Professor nos Cursos presenciais de Geografia, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Comunicação Social, Informática e Serviço Social.

 

  • Universidade do Norte do Paraná – UNOPAR: Tutor do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental na modalidade de Ensino a Distância.

 

  • Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo – FATEC (Campus de Jacareí): tem-se ocupado o cargo de Professor e Supervisor de Estágios e de Atividades Acadêmicas e Científicas Complementares (AACCs) no Curso presencial de Tecnologia em Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

 

  • Faculdade de Roseira – FARO: ocupou-se os cargos de Coordenador e Professor do Curso presencial de Tecnologia em Gestão Ambiental e de Professor do Curso presencial de Engenharia Ambiental.

 

Em todos esses cursos, buscou-se ampliar as formas de atendimento aos estudantes e estimulá-los à busca constante por enriquecimento curricular e aprendizagem colaborativa e não linear, conforme a fig. 1, situação B. A situação A (pragmática, mais formal e linear) seria considerada a menos interessante, pois possibilitaria menos enriquecimento pessoal e profissional ao estudante, enquanto na situação B (múltipla) possibilitaria uma formação mais ampla e flexível aos interesses de cada estudante.

 

Figura 1. Cenários de formação de estudantes: A. Pragmático. B. Múltiplo.

Autor: Gerson de Freitas Junior, 2015.

 

Da mesma forma, espera-se obter informações a partir de postagens de outros membros dos grupos, efetivando a natureza colaborativa do procedimento. Para alcançar esses objetivos, passou-se a contribuir com postagens em grupos já existentes e foram criados grupos na rede social facebook além de, a partir disso, incentivar-se o acesso frequente dos estudantes, as postagens e também a publicação de atividades-síntese na forma de vídeos divulgados no youtube, podendo-se citar alguns:

 

 

Após a criação dos grupos ou o acesso em grupos já existentes, passou-se a publicar postagens e compartilhar notícias sobre as áreas correspondentes a cada curso. Na UNOPAR, por exemplo, durante as atividades de tutoria, os estudantes são atendidos e pergunta-se se desejam que seja encaminhado material suplementar via email e facebook. Nas outras instituições, as postagens são realizadas fora do período de aulas.

 

Conforme, dessa forma, realizam-se atividades colaborativas, incluindo “enquetes” utilizadas nas avaliações de provas, conforme fig. 2.

 

 

Figura 2. Enquete disponibilizada no facebook e incorporada à avaliação oficial presencial.

 

Especificamente em relação à enquete acima, os estudantes da Turma do 1º Semestre do Curso Superior de Tecnologia em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Disciplina de Geociência Ambiental, da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo – FATEC, Campus de Jacareí, puderam respondê-la, configurando-se em atividade extra à prova oficial. Os estudantes que não possuem conta no facebook tiveram acesso ao conteúdo da enquete e puderam respondê-la à caneta na folha de prova, que foi trabalhada com consulta e discussão entre todos os participantes e eu (professor responsável pela Disciplina). As provas foram realizadas em duplas, mas as discussões foram realizadas entre todos os presentes, incluindo o Professor responsável. Isso quer dizer que, embora o documento final fosse preenchido em duplas, as discussões eram abertas e envolveram todo o grupo.

 

Bruffee (1973), inspirado pelos trabalhos de Abercrombie (1964), de James (1968) e de Mason (1970), concretizou a abordagem pedagógica que designou de colaborativa, segundo a qual os estudantes se organizam em pequenos grupos para debater um problema e encontrar a sua solução. Também Harasim (1995) define aprendizagem colaborativa como qualquer actividade em que duas ou mais pessoas trabalham em conjunto para criar algo com significado, explorar um tema, ou melhorar habilidades. A aprendizagem colaborativa tem como objectivo fundamental desenvolver a dimensão social da própria aprendizagem dos estudantes. Um dos aspectos chave no âmbito desta dimensão social da aprendizagem é o valor da relação entre iguais, que afasta a convicção de que para aprender é indispensável seguir as concepções de alguém dito mais competente. A aprendizagem colaborativa é, assim, uma estratégia segundo a qual um pequeno grupo de estudantes trabalha para atingir um determinado fim (SILVA, s/d:98).

 

Aprender colaborativamente não significa aprender em grupo, mas implica a possibilidade de poder contar com outras pessoas para apoiar a sua aprendizagem e dar retorno, se e quando necessário, no contexto de um ambiente de aprendizagem não competitivo (SILVA, s/d:99).

 

O Professor indicou possíveis caminhos e discorreu sobre situações-problema, de forma a nortear os estudantes no caso de dúvidas, inclusive sugerindo, durante a prova, o acesso a vídeos previamente enviados por correio eletrônico. Não se adiantou aos estudantes o que seria solicitado, mas, foi escrito que o vídeo deveria ser estudado, pois parte do conteúdo da prova constaria no vídeo.

 

Os professores, assumindo o papel de mediadores, dedicam mais do seu tempo ao estabelecimento de interacções com os estudantes, orientando o grupo na procura da informação e na partilha das suas próprias experiências e conhecimentos, do que na transmissão de um saber hermeticamente considerado (SILVA, s/d:99).

 

As aulas são realizadas no Laboratório de Informática e o acesso à Rede Mundial de Computadores é livre, de modo que os estudantes possam acessar páginas eletrônicas, correios eletrônicos, imagens de temas discutidos em aulas (relevo, rochas, desastres ambientais, processos erosivos, vídeos, etc.), além de eventos, webinars, cursos on-line e outros. No caso de eventos que exijam inscrição online (preenchimento de cadastro, por exemplo), abre-se tempo da aula para que os estudantes efetuem a inscrição.

 

Para Levan (2004) o trabalho colaborativo é uma modalidade de acção que ultrapassa a acção individual do sujeito e que se inscreve, de forma explícita e deliberada, numa dinâmica de acção colectiva, ou seja, devemos, e podemos, considerar o trabalho colaborativo como resultado de uma actividade social entre vários indivíduos. Trata-se, assim, de um processo social que requer o envolvimento de vários indivíduos. O envolvimento a que nos referimos tem de ir para além da simples interacção, pois, como sublinha Murphy (2004), a interacção com os outros pode ser o ponto de partida para a colaboração, mas, para que esta exista, é necessária a existência de algo mais do que a simples interacção entre pares (SILVA, s/d:100).

 

O facebook não é utilizado como meio de comunicação exclusivo, mas, sim, como meio de apoio à comunicação oficial. Vários estudantes são atendidos via “bate-papo”, de forma que muitas dúvidas não esclarecidas durante as aulas presenciais, são esclarecidas virtualmente.

 

ASPECTOS POSITIVOS

 

Muitos estudantes passam a usar regularmente o grupo no facebook como forma de obter informações sobre vagas de estágio e emprego, cursos e palestras, bem como para compartilhar informações que consideram pertinentes, incluindo vídeos e outros materiais elaborados por eles. Dessa forma, o espaço virtual no facebook adquire caráter colaborativo e possibilita a interação social e acadêmica (estudantes de turmas diferentes interagem via facebook). Os estudantes mantêm objetivos e iniciativas individuais, mas passam a colaborar mutuamente entre si, sendo beneficiados e beneficiando outras pessoas. Assim, consolidam-se alguns princípios colaborativos:

 

Neste empreendimento, a motivação, a comunicação e a interacção constituem o núcleo duro do trabalho colaborativo eficaz (LEVAN, 2004, apud SILVA, s/d:98).

 

Como resultado positivo, pode-se citar, como exemplo, uma estudante que foi aprovada em processo seletivo para obter uma bolsa de pesquisa, a partir de processo seletivo divulgado na página do Grupo do Diretório Acadêmico da FATEC no facebook.

 

Como exemplo de aprendizagem sob dinâmica cooperativa, pode-se citar o Trabalho Final realizado por um grupo de estudantes (do qual fizemos parte) que participou de um curso de extensão acadêmica sobre Gestão Ambiental e Educação Ambiental. O grupo cooperou para elaborar uma página no Facebook, na qual foram disponibilizadas informações e fotos sobre locais, principalmente Parques e Unidade de Conservação de toda a região do Vale do Paraíba paulista, nos quais poderiam ser realizadas atividades de Educação Ambiental. O objetivo consistia em divulgar informações para a comunidade regional, de forma que pessoas com interesse em realizar atividades de Educação Ambiental, pudessem obter informações a partir da página no facebook. Como se tratava de uma avaliação final em conjunto, cada membro do grupo teve que contribuir para que o objetivo comum fosse alcançado e os elementos básicos e a operacionalização propostos por Johnson & Johnson (1999, apud Silva, s/d:89) nortearam as atividades do grupo.

 

Basicamente, estabelecem-se três tipos de dinâmicas interactivas em relação às metas do grupo:

c) Cooperativa:_Cada estudante consegue alcançar os seus objetivos se os outros elementos também conseguirem alcançar os seus. Isto é, os objectivos são comuns (JOHNSON & JOHNSON, 1999, apud SILVA, s/d:89)..

 

Verificou-se, portanto, a efetivação de premissas fundamentais da aprendizagem colaborativa, como propõem Adams, Carlson, & Hamm (1990), apud Silva (s/d:102).

 

  • A colaboração resulta melhor, quando os estudantes têm que resolver problemas reais;

 

  • Um ambiente colaborativo cresce de forma natural e progressiva ao longo do tempo, sendo alimentado por professores que consideram que cada elemento é um recurso único e necessário;

 

  • Aprender a pensar conjuntamente, como um grupo, pode ajudar muitos estudantes a aprender mais e melhor;

 

  • Um ambiente colaborativo funciona melhor, se permitir riscos, enganos e se gerar controvérsia;

 

  • A aprendizagem colaborativa permite a praxis na resolução de problemas;

 

  • Os indivíduos aprendem melhor quando são individualmente responsáveis pelas subtarefas do grupo.

 

Destacou-se a antepenúltima premissa considerada, pois destacar que o “erro” faz parte do processo de aprendizagem é um dos procedimentos pedagógicos realizados. Isto, por dois motivos: os estudantes sentem-se inibidos em correr riscos, pois receiam serem repreendidos, comparados ou expostos; além disso, alguns estudantes afirmavam que queriam desenvolver pesquisas laboratoriais nas quais “tudo desse certo”. Para evitar esse tipo de comportamento, passou-se a esclarecê-los previamente sobre a importância das tentativas, dos esboços, do exercício de erro e acerto, da construção gradual e contínua do conhecimento. No caso de erros, estes são tratados como parte do processo de aprendizagem.

 

ASPECTOS NEGATIVOS

 

Como aspectos negativos relacionados o uso de redes sociais no processo de ensino-aprendizagem, destaca-se os seguintes:

 

  • Trabalho não remunerado e horário tardio: atividades realizadas em redes sociais fora do horário de trabalho podem se estender ao longo de finais de semana, feriados e outros horários não necessariamente remunerados. Como as redes sociais são “livres”, recebe-se notificações, chamadas, mensagens, e-mails, em horários variados e o trabalho pode se estender muito além do necessário.

 

  • Espaço virtual público-privado: pode ocorrer conflito entre de usos no espaço virtual público-privado, pois as postagens no perfil pessoal, fotos de família, comentários, “likes” não necessariamente são de mesma natureza. Assim, uma foto pessoal ou uma posição (cultural, política, religiosa, esportiva) particular pode ser motivo de colocações não pertinentes. Além disso, atualmente, há empresas que consultam os perfis de candidatos a vagas de emprego. Por isso, o espaço virtual público-privado apresenta certo grau de conflito se não for bem administrado.

 

  • Indicadores: obter indicadores para avaliar os resultados do uso das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem é um dos problemas a serem resolvidos, atingindo interpretação qualitativa e não apenas levantamentos quantitativos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A partir da experiência prática do uso das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem, verificou-se o fortalecimento de práticas relacionadas à aprendizagem colaborativa.

 

As novas formas de comunicação têm possibilitado a construção de novas articulações pedagógicas, processo no qual as TICs e especialmente o ensino a distância, têm papel de destaque. Contudo, considerando-se a importância do Professor no processo educacional, assim como defende o Prof. António Nóvoa, torna-se fundamental a capacitação docente para trabalhar de forma construtiva utilizando-se de ferramentas digitais.

 

Tem-se obtido respostas positivas em relação às experiências pedagógicas baseadas na utilização complementar, e não exclusiva, das redes sociais, notadamente facebook e youtube, no fortalecimento das relações educacionais, atendendo os estudantes e estimulando-os a construir redes de conhecimento colaborativas que extrapolem o espaço virtual.

 

BIBLIOGRAFIA

 

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