APRENDIZAGEM COOPERATIVA E COLABORATIVA E A REFORMULAÇÃO CURRICULAR, QUE SE IMPLEMENTOU NA USP, NO DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS

APRENDIZAGEM COOPERATIVA E COLABORATIVA E A REFORMULAÇÃO CURRICULAR, QUE SE IMPLEMENTOU NA USP, NO DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS

MUITOS RECURSOS DIGITAIS FORAM IMPLEMENTADOS P/ A PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

 

A reformulação curricular, que se implementa atualmente no Departamento de Artes Cênicas, se iniciou em 2006, com a alteração das provas específicas do Vestibular, em que se buscava superar o antigo modelo de avaliação em separado das competências nas habilitações, pela proposição de um enfoque integrado das competências desejadas.

Podemos dizer que se tratava de uma mudança de abordagem: de disciplinar, para um paradigma que valoriza um projeto.

Um corolário da proposta é o redimensionamento do horizonte do perfil do ingressante: de habilidades específicas – ator, diretor, teórico, cenógrafo, professor – para o perfil abrangente do artista-pesquisador-pedagogo.

Depois do sétimo ano de implantação, é notável a eficácia do processo seletivo, fato que impulsiona crescentemente o curso na direção da interdisciplinaridade, não obstante a forte estrutura compartimentalizada que o currículo da universidade impõe. Tanto assim que o máximo de inovação que a reformulação curricular conseguiu foi garantir um modelo híbrido, no quarto semestre, em que o projeto se desenvolve sem quebrar o regime de disciplinas.

Em um projeto, por sua proximidade do processo teatral, as aulas se transformam em ensaios e as soluções cênicas aparecem no risco da experiência.

A metodologia do projeto é indutiva: não oferece a totalidade, mas se dispõe a aprofundar o particular, a aprimorar o detalhe.

O projeto favorece o diálogo entre a teoria e a prática e supera a fragmentação entre o saber e o fazer: o projeto desafia a criação do campo do saber fazer.

Convencidos dos benefícios desta estratégia pedagógica, os docentes do Departamento de Artes Cênicas propõem, para o primeiro semestre de 2012, três projetos interdisciplinares autônomos, que se imbricam e se apresentam ao final de cada mês.

A iniciativa condiz com nosso Projeto Político Pedagógico, que valoriza processos que estimulam a “interdisciplinaridade”, “a experimentação e o risco”, buscando-se “a formação de um artista e educador presente no presente”.

O momento atual exige reflexão e atuação propositiva, por parte dos atores da universidade - alunos, funcionários e docentes.

O projeto pedagógico interdisciplinar visa a contribuir para este debate, segundo seus três eixos cardinais: “Formas do teatro político: agitprop, teatro jornal e performance política ”, “Coralidades e Dissenso” e “Utopias e Manifestos”.

Extrato do texto, disponível em: http://wiki.stoa.usp.br/Dissenso_e_Utopia, acedido em 11/12/2015

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Em 2011 conquistei o 1º lugar da Bolsa Santander da Universidade do Algarve, era estudante de Artes Visuais e fui a primeira aluna a fazer o último ano e conclusão da licenciatura no exterior.

Para que este meu projeto tivesse todos os requesitos que eu desejava, escolhi e muito bem, a Universidade de São Paulo, ingressando na ECA- Escola de Comunicações e Artes. O que me permitiu também me inscrever em interunidades com 11 disciplinas: CAC-Artes Plasticas, CTR-Cinema, Rádio e Televisão, MAC-Museu de Arte Moderna e EAD-Escola de Arte Dramática.

Aqui na EAD, tive a oportunidade de participar deste projeto conhecido como "Dissenso e Utopia" enquadrando o  3º grupo de "Utopias e Manifestos", cujo experimento passo a descrever:

 

EXPERIMENTO 3

UTOPIAS E MANIFESTOS

Professores:

Eduardo Coutinho, Elisabeth Azevedo, Felisberto Sabino, Helena Bastos, Joaquim Gama, Luiz Fernando Ramos, Marcelo Denny, Marcos Bulhões e Maria Thaís.

"O projeto é estudar as utopias, principalmente aquelas que no século XX inspiraram invenções e revolucionaram o teatro e a arte, gerando transformações nos paradigmas anteriores.

Projetos que, radicais na criação de novas formas e modos de ser da estética, foram essencialmente políticos.

Estas utopias estão latentes nos diversos manifestos escritos e propagados ao longo do século passado, que se tornam por isso objetos preferenciais da pesquisa.

São eles, por exemplo, o Manifesto do Teatro Futurista Sintético, o Manifesto do Cubo Futurismo Russo, o Manifesto do Realismo de Naum Gabo que ilumina o construtivismo russo, o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, O Manifesto por uma arte independente de Breton e Trotski, o Manifesto do neoconcretismo brasileiro, o Manifesto Teremos de Ser Radicais, de Luiz Roberto Galizia, ou o Manifesto do Teatro da Morte de Tadeusz Kantor.

Muitos são os manifestos, muitas as possibilidades de articulação entre eles e as peças e textos teóricos que os entrelaçam.

A proposta é definir, ao longo do processo, alguns desses manifestos, peças e reflexões decorrentes para, em torno deles, pensarmos e criarmos juntos um ou dois vetores de operação de processos cênicos que manifestem nossos mais radicais e libertários desejos artísticos e políticos.

Idealmente, ao fim do semestre, teríamos experimentos de cena e um manifesto que fosse composto pelo coletivo de alunos e professores.

 Extrato do texto, disponível em: http://wiki.stoa.usp.br/Dissenso_e_Utopia, acedido em 11/12/2015