ARTEFACTO DIGITAL 2 - CONTRUÇÃO DE UM MURAL DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA COM O PADLET

Boa noite a TODOS!

Aqui vos deixo o Trabalho que submeti!

Continuação de bom fim de semana!

Até breve,

Maria

 

 

ARTEFACTO DIGITAL 2

 

CONTRUÇÃO DE UM MURAL DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA COM O PADLET


INTRODUÇÃO

Reconhece-se que a mobilização de conhecimentos prévios sobre pontuação, tempos e modos verbais, advérbios, pronomes … é condição para o sucesso nas construções mais complexas (como é o caso da transformação do discurso direto em indireto e vice-versa) e que nesta exigência, por uma série de conhecimentos prévios não consolidados, encontra-se uma das razões que poderão justificar as dificuldades manifestadas pelos alunos na produção textual. Como refere Graça Rio-Torto “é missão dos docentes formar alunos não apenas proficientes na sua língua materna, mas também possuidores de um saber especializado e qualificado acerca da estrutura e do funcionamento desta”(2001:259). Considerando-se a importância da flexão verbal na qualidade do discurso; que esta constitui uma dessas traves basilares para edificação de construções complexas, mas que continua suscitando muitos erros apresenta-se esta proposta de criação de um Mural de Aprendizagem Colaborativa para a Disciplina de Língua Portuguesa, tendo como público-alvo os alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico – 5º e 6º anos de escolaridade, onde se promoverá o ensino da Flexão Verbal através de textos. No seguimento do Artefacto Digital 1, o Universo Fabulístico continuará a constituir o Corpus textual e este Mural poderá ser incorporado n’ O Sítio dos Verbos da Edublogs (ou da Webnode).

1.      CONCEITO/NOÇÕES

Foi a partir dos anos 70 do século passado que as investigações sobre a Aprendizagem Cooperativa se desenvolveram. Desses inúmeros trabalhos que atestam as potencialidades da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento das competências cognitivas e sociais, destacou-se, como pioneiro, Vygotsky com a sua teoria socioconstrutivista preconizando  ser a aquisição dos processos cognitivos superiores originada pelas atividades sociais em que cada pessoa participa,  destacando a Aprendizagem Cooperativa a importância dessas atividades sociais para a progresso da aprendizagem (Ribeiro, 2006:3). Certamente que a: “ aprendizagem acontece na interação com outro e em vivências significativas com o conhecimento” (Simões et al. 2012:14). Sofia Malheiro da Silva discorrendo sobre o conceito de cooperação diz ser este mais complexo do que o de interação e colaboração, pois abrange respeito mútuo, tolerância, convivência, para além de objetivos, atividades, ações conjuntas, coordenadas e comuns (Silva,86). Citando Legendre, a mesma autora define a aprendizagem cooperativa “como uma aproximação estruturada e metódica que, por um lado, define o encaminhamento educacional dos aprendentes e, por outro lado, determina as técnicas de ensino utilizadas” (Silva, 86). Os estudantes divididos em pequenos grupos organizados, desenvolvem atividades de forma conjunta, adquirindo aprendizagens de níveis de cognição variados e competências cooperativas. Cabe ao professor fornecer as orientações para favorecer a cooperação e a interdependência entre os grupos. Para Paulo Dias (2012: 5/6) no aprendizado em grupo há que ter em conta a distinção entre aprendizagem cooperativa/aprendizagem colaborativa e citando Dillenbourg: “In cooperation, partners split the work, solve sub-tasks individually and then assemble the partial results into the final output. In collaboration, partners do the work 'together'”. Segundo Stahl, Koschmann & Suthers apud Paulo Dias (2012:6) a aprendizagem colaborativa envolve a negociação, partilha de significados, construção e manutenção das conceções partilhadas das tarefas efetivadas interactivamente pelos processos em grupo. Malheiro descreve a aprendizagem colaborativa como sendo “uma estratégia segundo a qual um pequeno grupo de estudantes trabalha para atingir um determinado fim. Contrariamente ao que acontece na aprendizagem cooperativa, a aprendizagem colaborativa não pressupõe a divisão de tarefas […] todos os elementos do grupo trabalham de forma conjunta para a realização da tarefa do grupo” (Malheiro,98). Por sua vez Larusson e Alterman (2009 apud Dias, 2012:6) defendem que as atividades de aprendizagem colaborativa podem ser realizadas individualmente ou em grupo, em momentos de sincronia ou de assincronia. Arrazoando sobre o objetivo capital da aprendizagem colaborativa, Sofia Malheiro da Silva indica ser este o “desenvolver a dimensão social da própria aprendizagem dos estudantes” (Malheiro, 98) constituindo um dos aspetos principais desta dimensão social da aprendizagem “o valor da relação entre iguais, que afasta a convicção de que para aprender é indispensável seguir as concepções de alguém dito mais competente” (Malheiro, 98). Numa construção colaborativa o conhecimento é co-construído dado existir interatividade; os aprendizes “ produzem um conhecimento mais profundo e, ao mesmo tempo, deixam de ser independentes para se tornarem interdependentes" (Pallof e Pratt, 2002:141 apud Machado, 2009). De acordo com Aires a interação entre todos os participantes envolvidos torna a aprendizagem colaborativa numa aprendizagem dialógica porque se projeta “num processo de participação, de partilha, com e pelo­ diálogo” (Aires, 2007 apud Malheiro, 103). Para Machado (2009) este tipo de construção possibilita a troca de informações, a hipótese de ser autores, de participar nos processos de construção do conhecimento, de contra-argumentar, interpondo-se e concorrendo para a construção da realidade/conhecimento enquanto sujeitos da própria existência.

2.      OBJETIVOS

  • Possibilitar reflexões a partir do uso da língua diante do fenómeno analisado.
  • Estimular os alunos a construírem o conceito do fenómeno linguístico da Flexão Verbal a partir da análise de diferentes géneros textuais ou dos seus próprios textos.
  • Facultar reflexões sobre os casos paradigmáticos da Flexão Verbal suscetíveis de erros.
  • Desenvolver habilidades de escrita pondo em evidência a compreensão da Flexão Verbal, utilizando as Ferramentas da Web 2.0.
  • Promover a interação permitindo a construção coletiva do conhecimento.
  • Fomentar a aprendizagem colaborativa e cooperativa.
  • Possibilitar a criação de um ambiente de partilha de conhecimentos.

 3.      FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS MOBILIZADAS

As ferramentas tecnológicas mobilizadas foram selecionadas tendo em conta a apropriação e valorização das aprendizagens, enquanto inseridas nas práticas pedagógicas correntes do professor e nos pré-conceitos dos estudantes. As atividades estão estruturadas procurando que os alunos tenham de assumir alguma responsabilidade e oportunidade de desenvolver uma participação ativa, promovendo neles a reflexão sobre os conceitos e relações subjacentes, criando momentos de discussão, análise e reflexão, tal como momentos de investigação desenvolvendo competências de recolha, seleção e análise de informação, encorajando a partilha de ideias.

O Mural de Aprendizagem Colaborativa será construído com a aplicação Padlet (Wallwisher) ferramenta da Web 2.0. Este recurso tecnológico foi criado em 2008 e ativado em 2009 por Nitesh Goel e as possibilidades da sua utilização em sala de aula são múltiplas: propostas de atividades, distribuição de tarefas, postagem de vídeos tutoriais, frisos cronológicos, explanação de conteúdos curriculares, discussões temáticas, avaliação diagnóstica, partilha de reflexões e de links, … Pela sua facilidade de uso, possibilitando autonomia aos seus usuários torna-se um recurso adequado para um público-alvo mais jovem: como é no caso desta proposta destinada a alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico – 5º e 6º anos. 

Alguns exemplos de tarefas a propor:

a)      Pesquisa de conteúdos.

b)      Escrever uma Fábula com recurso a uma série de verbos selecionados e tendo em conta os parâmetros gramaticais da flexão verbal.

Esta tarefa que poderá ser realizada por grupos de 4 a 5 elementos recorrendo, por exemplo, ao Google Docs (promovendo a colaboração e possibilitando aos alunos trabalharem em conjunto) facilitando a escrita enquanto processo que envolve: Planejar/Escrever/Reformular.

Uma vez escrita pode ser partilhada no mural.

c)      Criar histórias digitais, vídeos e apresentações partir das narrativas produzidas com recurso, entre outros, ao Litle Story Bird, ao Windows Movie Maker ou ao Prezi.

d)     Identificar verbos em textos e construir frases com verbos a partir de parâmetros gramaticais da flexão verbal dados.

e)      Avaliar as produções dos colegas.

Estas atividades serão ainda objeto de discussão em fórum aberto no blogue O Sítio dos Verbos.

 

4.  ARGUMENTOS JUSTIFICATIVOS DE QUE A ATIVIDADE IMPLICA APRENDIZAGEM COLABORATIVA

 

 "a maneira mais fácil para criar e colaborar no mundo."

A frase que fiz acompanhar o logotipo da aplicação Padlet, publicitada nesta, só por si já é um bom apelo para a sua seleção para com ela se promover a aprendizagem colaborativa. Esta aplicação da Web, suportando uma grande variedade de ficheiros, é de uso muito simples e por isso se torna adequada a utilizadores mais jovens, permite a criação de murais (quadros) virtuais, dinâmicos e interativos onde podemos colocar posts registando informações, guardando e partilhando conteúdos multimédia, possibilitando múltiplas entradas e variadas formas de prosseguir, potencializadora da leitura não sequencial e não-linear.

As atividades apresentadas implicam aprendizagem colaborativa porque:

a)      Promovem a Prática Construtiva do Conhecimento por parte dos alunos

- A Construção do Mural - o aprendiz como autor– é da responsabilidade de todos como resultado das suas postagens: conteúdos curriculares, resultados de discussões, brainstorming, vídeos, feedback de atividades, etc., sendo muitas destas atividades feitas em grupo indiciando uma aprendizagem colaborativa e cooperativa.

Estas atividades potencializam uma aprendizagem de conhecimento adquirido pelo próprio aluno, criando ideias novas, pesquisando e aprofundando o conhecimento sobre as ideias tácitas; construindo novo conhecimento sobre estas ideias já existentes e estimulando o pensamento independente e a curiosidade.

- Produção e reformulação de texto no Google Docs - possibilidade de remodelar e transformar de acordo com a sua criatividade.

 

b)            Acionam a Produção de Materiais Didáticos

A produção dos diferentes trabalhos nos diferentes formatos poderão ser usados por todos para estudarem ou reverem conteúdos didáticos.

c)              Favorecem a interação

A troca de ideias, a discussão sobre em torno de questões levantadas serão algumas das possibilidades que estes espaços (quer o blogue com os fóruns ou o mural) tornarão possíveis).

 

Este Artefacto também pode ser visualizado em:

https://prezi.com/w-4iojreyqux/artefacto-digital-2-construcao-de-um-mural-de-aprendizagem-colaborativa/

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não estando o aluno limitado a olhar, a ouvir, a copiar e a prestar contas mas a criar, a modificar, a construir conhecimento, as atividades que lhe são propostas deverão, contribuindo para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, potencializar-lhe a criatividade, o espírito crítico, a responsabilidade, a partilha, a interação e a colaboração, tornando-o  protagonista porque responsável da sua própria aprendizagem (e da dos seus colegas de que será um bom exemplo a avaliação interpares).

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • COSTA,  Henriqueta; OLIVEIRA,  Isolina - «As redes sociais no apoio ao ensino presencial – um instrumento de avaliação», LE@D, Lisboa: Universidade Aberta.

 

  • DIAS,  Paulo A. Lourenço (2012) - «Práticas de avaliação formativa em ambiente wiki», Atas da Conferência Ibérica em Inovação na Educação com TIC - 1 e 2 de junho de 2012,  Bragança: Instituto Politécnico de Bragança.

 

 

  • RIBEIRO, Celeste Maria Cardoso  (2006) - Aprendizagem Cooperativa na sala de aula: uma estratégia para aquisição de algumas competências cognitivas e atitudinais definidas pelo Ministério da Educação Um estudo com alunos do 9º ano de escolaridade, Tese de mestrado elaborada com vista à obtenção do grau de Mestre em Biologia e Geologia para o ensino (em conformidade com o Decreto-lei nº 216/92 de 13 de Outubro), [em linha], Vila Real: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. [Consultado em 6 de dezembro de 2015], disponível em www: URL: https://repositorio.utad.pt/bitstream/10348/35/1/msc_cmcribeiro.pdf>.

 

  • RIO-TORTO, Graça (2001) - «Classes Gramaticais: sua importância para o ensino da morfossintaxe», MÁTHESIS, Revista do Departamento de Letras da Universidade Católica Portuguesa, número, 10, [em linha], Viseu: Universidade Católica Portuguesa, pp. 259-286. [Consultado em 8 de dezembro de 2015], disponível em www: URL:< http://www4.crb.ucp.pt/Biblioteca/Mathesis/Mat10/mathesis10_259.pdf>.

 

  • SILVA,  Sofia Malheiro da - «Itinerários de @prendizagem Colaborativa / Cooperativa em Contexto Online»,  Capítulo 3, Lisboa:Universidade Aberta -  Departamento de Educação e Ensino a Distância­.

 

  • SIMÕES, Luciene Juliano; RAMOS, Joice Welter; MARCHI, Diana; FILIPOUSKI, Ana Mariza (2012) – Leitura e autoria: planejamento em Língua Portuguesa e Literatura, Erechim: Edelbra.

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