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Artefacto 2: Construção de um vídeo sobre as alterações climáticas verificadas em Portugal, através da apendizagem colaborativa

Artefacto 2: Construção de um vídeo notícia sobre as alterações climáticas verificadas em Portugal, através da aprendizagem colaborativa.

Enquadramento Teórico

Os discentes atualmente, não respondem significativamente a modelos educativos centrados no docente e em estratégias convencionais. Assim sendo, o grande desafio que se coloca à escola é como motivar e trabalhar com estes jovens cada vez mais envolvidos com as novas tecnologias, bombardeados pelos solicitações dos média, “enfeitiçados” pela internet e manipulados pelo poder da sociedade de consumo em que vivem. Estes discentes, que, na sua grande maioria, pertencem à Geração Y (que compreende os nascidos entre 1980 e 2000), cresceram num mundo relativamente estável, sob a influência dos mecanismos tecnológicos . Ganharam autoestima e não se sujeitam a atividades que não fazem sentido a longo prazo. Assim, são necessárias abordagens diferenciadas, em contexto de sala de aula, que criem um espaço de comunicação entre o professor e os alunos.

 

A seleção desta temática, alterações climáticas, para a construção desta atividade, prende-se com o facto de ser tum tema relevante para a maioria dos alunos e constituiu um indício, entre outros, que o ambiente continua frágil, apesar de nas últimas décadas, os esforços da educação, em geral, e da Educação Ambiental (EA) e de outras temáticas transversais, em particular, a comunidade internacional tentou, entretanto, ir apontando soluções de se enfrentarem esses desafios, como por exemplo a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).

 

Acresce que a promoção de uma atitude investigativa e protagonista possibilita também que os alunos, por meio da pesquisa de informação sobre um tema social relevante, como o elencado, estabeleçam generalizações e conceitualizações tão necessárias para o seu processo de construção de aprendizagens.

É mais que evidente, que a educação constitui um instrumento essencial para que os cidadãos, no seu dia -a -dia, adotem atitudes e estilos de vida que promovam a monitorização e prevenção de um conjunto de fenómenos que se encontram na base das alterações climáticas e da degradação ambiental, contribuindo assim para assegurar a sustentabilidade ambiental. Assim, os sistemas educativos estão a ser cada vez mais chamados a intervir, orientando as suas práticas para a valorização de atitudes e competências que tornem os crianças e os jovens conscientes e participativos no contexto social e ambiental em que se inserem.

É função da escola contribuir para a formação global dos discentes, assim a aprendizagem deve ser vista nos vários domínios (cognitivo, afetivo e psicomotor) e os objetivos têm que abranger todas estas diferentes áreas de aprendizagem.

 

Em suma, considerando a importância das alterações climáticas no quotidiano dos cidadãos do presente e do futuro, surge este artefacto digital, criação de um vídeo reportagem sobre alterações climáticas em Portugal, que tem como público-alvo os alunos do ensino secundário, do 10º ano, que frequentam a disciplina de biologia e geologia. Um vídeo pode constituir uma boa ferramenta para ensinar esta temática em contexto de sala de aula e promover a aprendizagem colaborativa.

Pretende-se assim que no final da atividade o conhecimento adquirido seja global, integrador, contextualizado, sistémico, capaz de enfrentar as questões e os problemas abertos e difusos que a realidade coloca. (Zabala, 2002, p. 58).

 

 

 

CONCEITO/NOÇÕES

Foi Lev Vygotsky (1896-1934) quem compreendeu que as interações entre os pares são impulsionadoras do conhecimento, pois a aprendizagem só se consuma quando intermediada pelo outro. Ao assumir uma postura mais proativa, o aluno não só aprende como também desenvolve valores sociais importantes como o respeito pelo outro, a compreensão e a solidariedade, o saber ouvir e falar, entre outros.

Segundo Legendre, 1993 citado por Silva, S. (2011) “a aprendizagem cooperativa pode ser definida como uma aproximação estruturada e metódica que, por um lado, define o encaminhamento educacional dos aprendentes e, por outro lado, determina as técnicas de ensino utilizadas. Assim, os estudantes caminham, em pequenos grupos, na procura de aprendizagens de níveis de cognição variados, sendo o professor o elemento que fornece as indicações para favorecer a cooperação e a interdependência entre os grupos”.

 

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:

  • Pesquisar, selecionar e sintetizar informação;
  • Pesquisar e seleção de informação sobre medidas de adaptação e análise crítica da sua aplicabilidade em contexto regional.
  • Compreender o conceito de mitigação das alterações climáticas e a sua importância no contexto climático atual;
  • Reconhecer a importância das medidas de adaptação às alterações climáticas;
  • Identificar medidas de adaptação às alterações climáticas adequadas ao seu contexto local/regional.
  • Avaliar o grau de aplicação das medidas de adaptação identificadas.
  • Compreender a necessidade da cooperação internacional para a resolução dos problemas globais.
  • Reconhecer que lidar com as alterações climáticas requer uma ação concertada e cooperação a nível internacional;
  • Compreender o processo de construção de um vídeo;
  • Desenvolver atividades de ensino sobre as alterações climáticas recorrendo a um vocabulário científico e geográfico apropriado;
  • Interpretar criticamente a informação contida num vídeo;
  • Promover a interação permitindo a construção coletiva do conhecimento.
  • Fomentar a aprendizagem colaborativa e cooperativa.
  • Possibilitar a criação de um ambiente de partilha de conhecimentos.

FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS MOBILIZADAS

A estratégia de ensino desenvolvida e as ferramentas tecnológicas mobilizadas foram selecionadas atendendo a uma aprendizagem significativa e à valorização das aprendizagens. Assim, as atividades foram planeadas e desenvolvidas incluindo o trabalho de grupo colaborativo (Furtak et al., 2012), o qual potencia o desenvolvimento de competências na área abordada e permite um papel ativo dos alunos na sua aprendizagem. Procurou-se, também, implementar a proposta de forma flexível e diferenciada (Gould, 2012), de modo a adequar a atividade à realidade e contexto das turmas e à necessidade de aprendizagem específicas de cada aluno da turma. Além do referido, pretende-se também que os discentes assumam a responsabilidade do projeto e tenham oportunidade de desenvolver uma participação proativa, promovendo a reflexão sobre os conceitos e relações elencados, criando momentos de discussão, análise e reflexão, tal como momentos de investigação desenvolvendo competências de recolha, seleção e análise de informação, encorajando a partilha de ideias e a autoavaliação essencial para a produção de juízos de valor.

De seguida, apresenta-se a proposta de estratégia de ensino relacionada com as alterações climáticas, recorrendo a uma reportagem em vídeo sobre medidas de adaptação aos impactes das alterações climáticas para uma dada região (será escolhida a região da maioria dos alunos presentes no grupo de trabalho).

A estratégia que se segue é exemplificativa e pode ser adaptada para diversos contextos escolares. É constituída por duas partes, uma de caráter mais teórico-prático e outra de natureza marcadamente prática.

 

Tarefas a desenvolver:

Será solicitado aos alunos das turmas de 10º ano de biologia e geologia, o planeamento, em grupo, de uma reportagem em vídeo sobre medidas de adaptação aos impactes das alterações climáticas para a região onde vivem e as suas vantagens e desvantagens. A reportagem não deverá ultrapassar os oito minutos (tarefa a desenvolver será apresentada aos discentes recorrendo à ferramenta digital prezi).

Uma reportagem é um género jornalístico, na qual se conta uma história, segundo a perspetiva escolhida pelo jornalista que a investigou (serão visualizadas diversos tipos de reportagens vídeo para que os discentes visualizem e analisem as diferentes ângulos de uma reportagem).

Assim os alunos aquando da preparação da reportagem a realizarem serão solicitados a efetuar os seguintes passos preparatórios:

  • Pesquisa inicial de informação fidedigna recorrendo à internet (repositórios, entre outros);
  • Escolha do ângulo/tema (o ângulo diz respeito à abordagem escolhida pelo jornalista para contar a sua história. Um determinado acontecimento pode ser analisado sob ângulos diferentes);

Assim sendo, será solicitado aos grupos que selecionem um dos seguintes ângulos para a sua reportagem em vídeo:

  • Componente ecológica: medidas de adaptação, assim como potenciais vantagens e desvantagens para os ecossistemas naturais regionais;
  • Componente económico-financeira: medidas de adaptação, assim como potenciais vantagens e desvantagens para economia e finanças locais, nomeadamente a nível autárquico, entre outros.
  • Componente social: medidas de adaptação, assim como potenciais vantagens e desvantagens para a população local (poderá selecionar subtemas como a saúde, infraestruturas públicas, transportes, entre outros).
  • Seleção da informação a incluir na peça jornalística;

Seguidamente será solicitado também que cada grupo de trabalho defina o seu guião da reportagem, utilizando por exemplo, o Google Docs, fomentando assim o trabalho colaborativo entre os elementos do grupo. O guião é um texto que deve descrever com detalhe a reportagem, incluindo as pessoas a entrevistar, os possíveis locais a visitar, as imagens, os grafismos (textos curtos, desenhos, gráficos, etc.), os sons a incluir e a mensagem transmitida em voz-off ).

Será fornecida aos grupos de trabalho uma ficha informativa que apoie a tarefa a desenvolver, concretamente o trabalho prévio à elaboração do guião, e o guião que dará origem à reportagem final.

Após a primeira parte teórico–prática os alunos  devem elaborar os seus vídeos reportagem, recorrendo ao Windows Movie Maker, por exemplo).

Será também criado no blog da turma um espaço onde os alunos poderão tirar dúvidas relativas à construção da tarefa solicitada.

Após a conclusão dos vídeos reportagens pelos diferentes grupos serão apresentados à turma, sendo no final aberto um espaço discussão relativas às mensagens contidas em cada vídeo realizado, será também efetuada uma auto e heteroavaliação do trabalho desenvolvido.

Os vídeos elaborados serão divulgados no blog da turma e na página do facebook da escola.

O tempo necessário para o desenvolvimento da atividade são cerca de cinco aulas de 45 minutos

Os recursos necessários: ficha de trabalho; projetor multimédia; computadores com ligação à Internet para uso do professor e dos alunos; colunas de som para o computador do professor; auriculares para os alunos; câmara de vídeo ou smartphone; software que permita edição de vídeo (por exemplo, o Windows Movie Maker).

Pré-requisitos: o aluno deverá já possuir:

  • alguns conhecimentos básicos de geografia (regiões do país, diferenças regionais em Portugal, etc.);
  • competências, ainda que a nível básico, de pesquisa e de seleção de informação em fontes disponíveis na Internet;
  • competências, ainda que a nível básico, de argumentação;
  • competências, ainda que a nível básico, de captura de imagens vídeo e sua edição.

ARGUMENTOS JUSTIFICATIVOS DE QUE A ATIVIDADE IMPLICA APRENDIZAGEM COLABORATIVA

 Para Freire (2002), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou construção”.

Tendo em conta o supracitado e justificando que a atividade apresentada implica aprendizagem colaborativa apresentam-se os seguintes argumentos:

- A atividade, criação de um vídeo reportagem, foi desenvolvida pelos discentes em colaboração com os seus pares. Esta atividade potencia uma aprendizagem colaborativa pois para além dos alunos terem que ter pré-requisitos que passam pelo domínio de ferramentas digitais, que utilizam e através das quais pesquisam,  adquirem e aprofundam conhecimento, criando novas ideias. Não estando o discente limitado a visualizar, a escutar, a copiar, mas pelo contrário a criar, a modificar, a construir conhecimento, a atividades proposta contribuiu para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, potenciando a criatividade, o espírito crítico,  a interajuda, a responsabilidade, a partilha, a interação e a colaboração, tornando-o  assim protagonista na sua própria história, uma vez que é o responsável pela sua aprendizagem, e também pela dos seus pares de que será um exemplo, a avaliação realizada no final da atividade.

Influenciada pela psicologia de natureza construtivista e socioconstrutivista, a avaliação das aprendizagens permite a verificação do que se passa nos processos de ensino-aprendizagem com vista à regulação (Alonso, 2002). Nesta mesma ordem de ideias, Alvarez Méndez (2001) afirma que a avaliação assume, predominantemente, uma função de regulação do processo ensino-aprendizagem, pela intervenção face às dificuldades dos alunos e pela análise efetuada pelo professor das estratégias de ensino utilizadas.

Além do referido, alunos constroem os próprios materiais que poderão ser utilizados por todos para construírem conhecimento, além de favorecerem a cooperação, pois os grupos terão que discutir o enfoque a colocar no vídeo e as diferentes questões inerentes ao mesmo. Partilhar as dúvidas no blog de turma, a reflexão, e a resolução dos problemas, assim como a orientação prestada pelo docente contribuirão também para tornar a aprendizagem enriquecedora, levando por vezes à reestruturação do trabalho desenvolvido contribuindo para aprendizagens significativas.

Em suma, aprender ciência, através de uma ferramenta digital como a selecionada, afigura-se uma via promissora para promover a auto e heteroreflexão crítica dos discentes, sobre valores sociais, culturais e ambientais, próprios do conhecimento científico e tecnológico. Isto só é possível através do desenvolvimento de competências básicas dos indivíduos, como: raciocínio, experimentação e comunicação e a cooperação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escola é o ambiente que pode contribuir para que esta geração administre com propriedade as tarefas que lhe competem nesse mundo complexo e interativo. O maior desafio dos educadores é colocar a experiência vivida, o conhecimento adquirido e a adequação aos processos tecnológicos e comunicacionais existentes para prover as futuras gerações de sentidos que possam instrumentalizá-las a fazer boas escolhas e resolver dilemas dos novos tempos.

Para isso, é essencial que a escola propicie momentos de diálogo e troca de experiências entre os educadores, fomente processos de formação profissional para que os docentes possam refletir sobre como os alunos aprendem e construir propostas que atendam à forma de pensar e aprender deles

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALONSO (2002). Integração currículo-avaliação. Que significados? Que constrangimentos? Que implicações? In P. ABRANTES e F. ARAÚJO (Coord.), Reorganização Curricular do Ensino Básico. Avaliação das Aprendizagens. Das concepções às Práticas. Lisboa: Ministério da Educação – Departamento da Educação Básica, pp.19-23.

ALVAREZ MÉNDEZ (2001). Evaluar para Conecer, Examinar para Excluir. Madrid: Ediciones Morata.

FREIRE, PAULO (2002). Educação como prática da liberdade. 26. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

FURTAK, E. M., SEIDEL, T., IVERSON, H. & BRIGGS, D.C. (2012). Experimental and quasi-experimental studies of inquiry-based science teaching: a meta-analysis. Review of Educational Research, 82(3), 300–329. DOI: 10.3102/0034654312457206

GOULD, M. (2012). How flexible is the national curriculum? Primary & Middle Years Educator, 10(3), 11-17

SILVA, S. (2011). Colaboração/Cooperação: Conceitos e Preconceitos, cap 3, 82-117, Itinerários de @prendizagem Colaborativa / Cooperativa em Contexto Online, Tese de Doutoramento, Lisboa: Universidade Aberta.

ZABALA, ANTONI (2002). Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed.

 

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