"Nada há de novo!"

O plágio é questão de aprendizado sobre ações éticas. Aristóteles, em “Ética a Nicômaco”, afirma que os hábitos morais devem ser repetidos, para que se dê o aprendizado. Neste sentido, entendo que a criança deve ser ensinada para o valor de seu trabalho e sobre os prejuízos de ações diversas, como o plágio. É preciso trabalhar a prática da pesquisa, com a criança – no início, algo bem simples, nem se importando com a profundidade do conteúdo, mas sim com a prática em si, sobre o entorno da pesquisa.

Eu trabalho com educação a distância há quase 10 anos e já passei por muitas situações relacionadas ao plágio e verifico algo que, realmente, é fácil de se observar: se não aprendeu enquanto criança, o adulto nem sempre enxerga seu erro na ação.

Como é apresentado no vídeo, e explicitado no texto, a atividade do professor acaba sendo também de investigador, buscando o plágio – é, na verdade, a primeira ação do professor buscar os plágios, para, depois, dedicar-se aos trabalhos autorais. É situação estranha e me questiono sobre até que ponto nossa atividade se desvia...

No trabalho da educação a distância, produzimos diversos materiais instrucionais – textos e vídeos –, para que o aluno estivesse ciente das necessidades e problemas. Mesmo assim, o plágio sempre apareceu.

Utilizando, então, ferramenta que fareja plágio, identifiquei o problema no trabalho de um aluno. O aluno já era um senhor, na época muito mais velho que eu, ele já estava em sua segunda graduação, e não aceitou minha indicação de que deveria refazer o trabalho, sendo que teria uma única chance. Ele alegava: “Nada há de novo na produção do conhecimento – sempre diremos o que alguém já disse!”

O problema se tornou gigantesco e foi resolvido apenas com a intervenção da coordenação, pois o referido aluno passou a me atacar, enquanto professor, diante dos demais alunos, em ambiente virtual. Tentei de todo modo resolver a questão pacificamente, mas não tinha o que fazer: era plágio claro e o aluno se negava a rever sua postura.

A consciência do erro não foi assimilada e o aluno teve de refazer a disciplina.

Comentários

  • Amanda L há 1334 dias

    Puxa vida... ! Esta experiencia, da forma como ocorreu, com a pessoa - no caso de mais idade, nas cirscunstancias colocadas... mesmo explicando a pessoa nega. Dificil enfrentar este tipo de coisa.. ainda mais se for algo corriqueiro... Como voce disse.. a solução está em ensinar desde pequeno o que é seu e o que não é seu, quando se erra e quando se acerta...!

    Obrigada por compartilhar sua experiencia! abraço,

    Amanda #ecoimooc4t1