Como ensinar os nossos alunos a evitar o plágio?

Plágio é assumir a autoria do trabalho ou criação de outra pessoa.

Como formatar as mentes dos nossos alunos para o evitar? Qual o nosso papel na formação do espírito crítico dos nossos alunos?

O professor não é, nem pode ser mais, o único depositário da ciência, ou aquele que tudo sabe e que se limita a ser um transmissor de conhecimentos. Se antes era o mestre detentor do saber, agora já não é mais do que um mediador.

O computador é, nos nossos dias um utensílio pedagógico das tecnologias de comunicação e informação que quando utilizados na sala de aula ou em casa permite uma aprendizagem interativa e uma progressão constante, desenvolvendo o raciocínio e outras capacidades.

Segundo Rodrigues (1988, cit. por Correia, 1997, p. 168), o computador contribui “para o desenvolvimento de capacidades, sejam elas cognitivas, motoras, de linguagem ou de pré-aptidões  para as aprendizagens escolares. Pode também constituir um meio de implicações dos pais no processo de aprendizagem, aumentando a compreensão das necessidades de seus filhos”.

Penso no entanto, que o papel do professor não se fica apenas pelo técnico, que adquiriu competências e formação. Dentro da sala de aula ele pode e deve ser um amigo.

Pois a aprendizagem não se apoia, apenas, nas habilidades que o professor tem como líder de ensino; nem no uso de recursos bibliográficos, audio-visuais ou outros quaisquer. Ainda que tudo isto seja essencial, é muito mais importante o tipo de relação que se cria entre o facilitador e a pessoa que aprende.

Este fato leva-nos a constatar que o uso dos processos afetivos dentro da sala de aula facilita a aprendizagem à medida que se desce ao nível etário.

A relação afetiva do professor/aluno podem ajudar a melhorar a auto-estima dos alunos e consequentemente, ser um ótimo contributo para o sucesso (académico e pessoal) do aluno e do indivíduo globalmente considerado.

Neste contexto, o professor da classe assume um papel primordial, estabelecendo uma forte ligação entre a sua função técnica e simultaneamente relacional. Pensamos que é com este compromisso simultâneo do professor que o aluno atinge o êxito, seja qual for a sua necessidade. Citamos alguns comportamentos do professor que podem elevar a auto-estima dos alunos e consequentemente ao sucesso:

  • Valorizar os pequenos sucessos dos alunos.
  • Ser moderado, amigo e compreensivo:
  • Promover um ambiente afetivo que inspire confiança.
  • Tratar cada aluno como uma pessoa e não como um número na turma.
  • Estimular os alunos salientando os aspetos positivos.
  • Respeitar o ritmo individual de cada aluno, de acordo com as suas capacidades.
  • Aceitar o aluno como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.
  • Evidenciar os progressos que vão surgindo, mesmo que sejam insignificantes, pois são barreiras que o aluno vai ultrapassando de acordo com as suas possibilidades.

Para que a escola constitua uma unidade de mudança, é necessário também, que o professor personifique o seu processo de renovação, incluindo nos seus objetivos, a melhoria do auto-conceito académico e a auto-estima global dos seus alunos, perspetivando assim, indivíduos muito mais felizes.

Durante muito tempo, a escola foi vista como única fonte de saber, capaz de assegurar prestígio e posição social. Hoje, embora continue a ter um papel importante, ela já não tem o "monopólio" do saber exclusivo, ou seja, atualmente há já muitas outras fontes de informação igualmente credíveis. Nestas novas fontes de informação estão incluídas as novas tecnologias que são excelentes meios para a construção do conhecimento.

Proporcionar aos alunos um ambiente motivador, de descoberta, de construção activa do desenvolvimento intelectual, torna-se possível colocando as crianças perante o desafio que lhes podem proporcionar certos programas de computador, mas numa fase em que eles dominem as ferramentas da máquina. Segundo Ponte (1997:9), seria erróneo e pouco sensato pensar-se que o simples facto do professor se disponibilizar para utilizar o computador na sala de aula vai, por si, resolver os problemas de motivação e interesse e, citando Papert, afirma que este “não se cansa de sublinhar a importância da vertente afetiva da aprendizagem... de como se aprende efetivamente quando se está verdadeiramente interessado no assunto”.

Esta motivação e o envolvimento dos alunos deverão ser canalizadas para a intervenção relacionada com a superação de dificuldades sentidas, tentando desenvolver a auto-estima, as capacidades académicas e o sentido da responsabilidade, o seu espírito crítico, incentivando-os para a sua autonomia e empenhamento na resolução dos seus problemas. Crianças intrinsecamente motivadas são crianças com caminho aberto para aprendizagens significativas, porque, como pensa Papert (1997:150), “basear o desempenho intelectual em algo pessoalmente significativo é sempre vantajoso, mesmo para os adultos, e que uma das grandes vantagens de se trabalhar em computadores reside nas possibilidades existentes de se fazer exactamente isso”.

A escola deve encarar a utilização do computador numa perspetiva construtivista, de desenvolvimento de capacidades, exigindo do aluno uma atitude permanente de ator, construtor e explorador, considerando-o um instrumento que enriquece as estratégias pedagógicas do professor e estimula métodos mais incentivadores da criatividade, atividade, participação, colaboração e iniciativa dos alunos; ferramenta de visualização, simulação, análise, síntese e organização do conhecimento; potenciadora da criação de novas dinâmicas sociais da aprendizagem; suporte de novas estratégias da escola; mecanismo de adaptação dos contextos educativos a características particulares dos alunos.

Outra importante influência dos meios informáticos na vida das crianças diz respeito ao seu papel na aprendizagem baseada na experiência. Alguns peritos acreditam que eles constituem um excelente meio em aberto para a aprendizagem baseada na experiência, permitindo monitorizar as competências cognitivas e melhorar as capacidades de criatividade, de planeamento e de resolução de problemas. Os meios informáticos, como ferramentas multi-propostas, permitem, também, que as crianças alcancem, mais facilmente, determinados objectivos académicos e ajudam-nas a serem mais criativas. Eles são especialmente úteis na melhoria das tarefas de comunicação e de escrita.

Estudos recentes revelam que o trabalho em computador torna o processo de aprendizagem mais engraçado, melhora as tarefas relacionadas com a matemática, certas tarefas sociais e muitos outros domínios do desenvolvimento das crianças (atenção, motivação, jogo, curiosidade, cooperação e colaboração, discussão intelectual, etc..

 

 

 

Comentários

  • Jose_Graa há 1097 dias

    Bom dia Cara Eleonora Moita, começo por agradecer a sua partilha deste excelente texto, em que eu não Docente e como simples Aluno, me retrato na plenitude, principalmente porque estudo no sistema elearning, na qualidade de Trabalhador estudante, onde por conseguinte o Computador está sempre presente.

    Concordo plenamente com todos os atributos realçados ao computador ou meios informáticos, mas o problema para quem nasceu noutras épocas que não na era das revoluções tecnológicas, surgem sempre associados a dificuldades de adaptação às Novas Técnologias, principalmente no uso das suas ferramentas, por esse motivo me encontro inscrito neste curso, pensando sempre na adquirição de novos e maiores Skills no uso destas ferramentas fundamentais para uma real incursão no universo TIC. #ecoimooc4t1