Alguns conselhos

Caros colegas e professores

Tenho observado os comentários e as reflexões e parece-me, para quem está de fora e não sendo professor que uma das principais àreas a investir nesta problemática é mesmo na formação dos professores no uso das ferramentas tecnológicas ao seu dispor. E não é só o saber como funciona, é acima de tudo ter a compreensão de como se dá uso a essas tecnologias. Na àrea do social na internet o problema ainda é maior devido precisamente a ser social. Por mais que tentemos os comportamentos vão ser sempre assim, uns mais dentro do socialmente aceite, outros mais ou menos, outros em completa contradicão com o que é aceite. Somos humanos não máquinas como os computadores. Sempre existiram e vão continuar a existir, até desaparecermos como espécie, os que constroem e ajudam e os que destroem e matam e penso que o caminho correto será sempre fazer a balança tender para o lado correto, que também é relativo. Podemos estar a fazer o bem destruindo. Não é fácil. Saudo os professores não é mesmo fácil. 

Por exemplo: Ao propor que fosse criado por turma ou por disciplina a criação de um grupo privado no facebook com supervisão dos próprios alunos sobre temas de estudo, esta parte não referi por ter sido numa curta, já sei à partida que a maior parte desses grupos vai seguir por caminhos que não são os propostos, piadas, asneiras, pornografia, discutir problemas pessoais, etc, etc., já sabemos que vai acontecer mas é ai, no meu ponto de vista que o professor pode assumir o seu papel de tentar responsabilizar e apurar o sentido critico dos alunos. Perder um pouco de tempo a discutir, sem qualquer preconceito, o que foi publicado mesmo que sejam só besteiras é no meu entender um bom principio para a vida. E fica registado, talvez nos anos seguintes um aluno que tenha publicado besteiras ao voltar ao grupo se dê conta do que fez e venha a aprender mais tarde. Na informática aprendemos muito vendo, muitas vezes não como se deve fazer mas como não se deve fazer, porque o problema subsiste e o erro ficou registado. O método cientifico em ação, tentativa e erro.

Cumprimentos

Comentários

  • Celeste_Gregorio_Lopes há 1242 dias

    Colega Pedro e todos quanto não são professores,

    Partilho convosco alguns aspetos da minha/nossa experiência enquanto docentes.Não sei se serei o melhor exemplo, já que (penso) serei das mais velhas por aqui. Mas falarei da minha realidade - uma escola onde estou há 25 anos, citadina, com quadros interativos, computadores em todas as salas, com projetor, 6 salas de informática, Biblioteca ( a 'minha',  com 18 computadores de trabalho, 1 com projetor, 2 de serviço, 1 touch de registo, 1 posto de consulta,8 surfaces, 2 tablets, 1 televisor para visionamento de filmes - e faltam-nos dispositivos ereader para empréstimo, que as verbas não abundam...)

    Neste momento, os professores têm formação significativa  na área das tecnologias, até porque  a maioria das escolas usa a plataforma Moodle como base comunicação e trabalho. Igualmente, toda a gestão - serviços administrativos, serviços pedagógicos (direção de turma, plano anual de atividades, bibliotecas, outros) - está informatizada.

    Na escola onde trabalho, tudo se faz com cartão e o GIAE permite consultas e compras a partir de casa. A requisição de fotocópias, por exemplo, pode fazer-se, a partir de casa.  Tal como qualquer empresa, temos mail institucional (professores, alunos, funcionários), partilhamos documentos no OneDrive, enfim, tudo o que se pode fazer a partir das possibilidades que o Office 365 nos dá. A maioria das disciplinas tem a sua página na plataforma Moodle e explora todas as potencialidades, o que nos diz que os professores manejam esta ferramenta com destreza.

    Com as redes sociais, a nossa experiência tem sido exatamente a descrita na tese que a Maria joão Spliker nos indicou - há resistência dos alunos a encarar  Facebook (também já experimentei Twitter) como ferramenta de trabalho. Para eles é uma rede social, apenas e só. Pessoalmente, já vou na 3ª experiência. Não tem a ver com preconceitos, de professores, meio social ou outros, é apenas uma visão muito específica deles.Indiferença, só. Mesmo que seja um dos alunos seja o administrador, garanto - não há piadas, não há graçolas, nada do que referiu. Reagem ao 'Então, meninos, gato comeu línguas e cão roeu teclas? Os trabalhos? Olhem os prazos!' , lá vem um emoticon, e no último minuto, os trabalhos caem no mail institucional! 

    Já na sala de aula, funcionam muito bem os dispositivos móveis e tudo se complementa: professora a orientar pesquisa no computador (a projetar, claro), alguns com os surfaces e os tablets, outros com os próprios telemóveis( e sabemos que os telemóveis são proibidos na generalidade das escolas, pelos problemas que causam, inclusive na minha; porém, em situação pedagógica, transformam-se em aliados). O e-manual é um instrumento muito rentável. Sou fã! Nas poucas aulas expositivas (que servem também para ensinar/recordar a esquematizar, sintetizar) projeta-se no quadro branco, sublinha-se, esquematiza-se diretamente na projeção, ou então modifica-se a partir das fichas editáveis, com a ajuda da turma.

    Na generalidade das escolas, as bibliotecas escolares trabalham em parceria com os colegas, fazem formação de literacias aos alunos e partilham nas suas redes (blogues, facebook, twitter) métodos de trabalho (disponibilizam guiões de pesquisa) e outras formas de literacia, de modo a que estejam acessíveis a toda a comunidade escolar. É também nas bibliotecas que os alunos, muitas vezes, pedem ajuda para elaborarem trabalhos com ferramentas tecnológicas, para apresentarem em sala de aula.

    A Rede de Bibliotecas Escolares tem um blogue que pode ilustrar o trabalho das bibliotecas escolares - 

    http://blogue.rbe.mec.pt/ -  e todas as nossas bibliotecas têm blogue, facebook, twitter e outros ( no meu caso alimento também pinterest, scoop it! e já experimentei uma série de outros ambientes só para ver como era!).

    No fim de tudo isto, qual a conclusão a que chego? O fascínio ainda é nosso. Para os nossos meninos a tecnologia é banal, tal como os recursos tecnológicos. Sobretudo para os alunos das cidades. Os testemunhos dos colegas que lecionam em meios mais afastados das cidades dizem-nos que os meninos que aí vivem são mais ávidos de novidade. E lá está o sempre renovado Eça, pela boca de Ega: "Portugal é Lisboa! O país está todo entre a arcada e S. Bento!"

    Porém, nós, professores continuamos aqui - e aqui estamos a aprender mais e em atualização. Porque vale a pena!

  • Pedro Ribeiro há 1242 dias

    Cara colega e todos os outros colegas

    Muito obrigado pela descrição do ambiente tecnológico nas escolas. Bem pelo menos em algumas escolas. Só tenho pena é de não terem mais meios e espero sinceramente que tenham bons técnicos que mantenham tudo a funcionar em condições e em segurança.

    Cumprimentos #ecoimooc4t2

  • Amanda L há 1241 dias

    Pedro e Celeste, que post "rico" de reflexões! Pudemos tirar a cabeça dos livros um instante e mergulhar na realidade! Ainda que muitos de nós não vivamos no dia a dia esta experiencia!

    Pedro diz "Somos humanos não máquinas como os computadores. Sempre existiram e vão continuar a existir, até desaparecermos como espécie, os que constroem e ajudam e os que destroem e matam e penso que o caminho correto será sempre fazer a balança tender para o lado correto, que também é relativo. Podemos estar a fazer o bem destruindo. Não é fácil. Saudo os professores não é mesmo fácil". Retrato desta realidade, e os profs neste contexto tem que ser hábeis para mediar todo tipo de conflito!

    Celeste nos brinda com um relato de sala de aula, mostrando as possibilidades de como uma escola pode ser equipada para o século XXI, e fazendo uso destas ferramentas!  E ao que me tirou sorrisos abundantes "Reagem ao 'Então, meninos, gato comeu línguas e cão roeu teclas? Os trabalhos? Olhem os prazos!' , lá vem um emoticon, e no último minuto, os trabalhos caem no mail institucional! " me fizeram recordar 15 anos atras quando eu estava na sala de aula como professora em situações parecidas, mas sem as tecnologias que dispomos atualmente!

    Enriquecedor tudo isto... Aprendemos na prática.. e se não estamos "na prática" aprendemos com os relatos de quem passa por isto no seu dia a dia, e toma tempo para nos inteirar de como estes processos ocorrem!

    Obrigado Pedro, Obrigada Celeste!

    Abraços,

    Amanda 

    #ecoimooc4t2

  • ana_emidia há 1241 dias

    Celeste, uau!! Linda a sua escola, concordo com os comentários da Amanda. Aqui, no Brasil, ainda estamos a caminho, mas algumas coisas já estão disponíveis. Como já relatei anteriormente[http://eco.imooc.uab.pt/elgg/blog/view/69689/as-novas-tics-e-a-internet-da-escola], o maior problema que enfrentei e enfrento é a má qualidade da internet pública das escolas.

    Sobre o uso de redes sociais, também tentei utilizar o Facebook e não deu lá muito certo, os estudantes são resistentes a esse uso. Ano passado uma das escolas em que trabalhava adotou o Edmodo e é esta que utilizo desde então. Os estudantes aderem a esta rede, o que é interessante.

     

    Abraços e obrigada pela partilha, colegas!

  • Celeste_Gregorio_Lopes há 1241 dias

    Caro Pedro, deixe que lhe diga - quem nos dera ter 'Pedros' nas escolas! Algumas conseguem ter um técnico ('captado' nos serviços administrativos) só para esta área. Sorte!

    Connosco, são  os nossos colegas de Informática que vão mantendo os verdadeiros elefantes brancos que são os equipamentos  e o software informático. E uma gestão rigorosa do orçamento possibilita-nos estar acima da média, no diz respeito a esta área.

    Claro que este é também um fator de atualização do corpo docente - se até nas salas de departamento existem  computadores (6 por sala), estamos cercados, tudo nos leva à interação tecnológica: sumários, direções de turma, mails, OneDrive, Moodle, requisições, e-manuais e outros na escola, e-learning preferencialmente na formação e muita partilha de experiências formativas.

    Sorte, muita sorte a nossa, de sermos uma escola intervencionada, mas muito bem administrada e atenta à importância da formação. Porém, enquanto agrupamento, deparamo-nos com escolinhas geridas pela autarquia que são de uma pobreza franciscana. E esses professores sim, são heróis - a esses colegas, a escola sede ( a minha) põe à disposição todos os meios que temos,  para que possam trabalhar como merecem. Há realidades muito díspares, até dentro do mesmo agrupamento. A sensibilidade das autarquias à qualidade do ensino e da educação é muito importante.

    Amanda e Ana Emídia, a minha realidade é a de uma cidade. Porém, como disse acima, até no meu agrupamento há diferenças, segundo a gestão. 

    Acerca de redes sociais, ainda hoje aconteceu um episódio ilustrativo - a Biblioteca tem Facebook, atualizado ontem com fotografias das atividades do fim de semana: lançamento de um livro resultante da atividade  colaborativa entre as bibliotecas do concelho (escrita e ilustração feita pelos meninos), vinda de dois escritores a Santarém, José Eduardo Agualusa e Teolinda Gersão, e apresentação pública de um poema coletivo da minha turma num espetáculo comemorativo do 25 de Abril. Quase todos os envolvidos têm perfil no Face. Imaginam o número de gostos? Então consultem - https://www.facebook.com/BibliotecaESSB/ - vão reparar como nem os envolvidos, nem alunos,nem professores, nem pais, nem funcionários da escola se manifestaram. É uma quase-conclusão também interessante: páginas de estruturas pedagógicas também têm o mesmo 'sucesso' que algumas ferramentas com que tentamos trabalhar com os alunos. Por que será? 

    Não sei. O estudo a que a Maria João Spilker nos deu acesso é excelente, mas ainda não me satisfaz. Não há lá o devido 'porquê'.

    Passa-se o mesmo com o blogue. Estranhamente, o blogue é muito mais visto fora de Santarém e fora de Portugal. E os poucos seguidores são pessoas com perfis que nada têm a ver com a educação. Mais um study-case? Não sei!

    Pedro, Amanda e Ana quase vos diria que esta vida de professora bibliotecária é cheia de mistérios (um bom título "Há mistérios nas redes da Biblioteca" Laughing)! Vale que há uns imooc para irmos partilhando experiênciasCool!

    Obrigada pelas vossas respostas!

    #ecoimooc4t2

     

  • Pedro Ribeiro há 1241 dias

    Cara colega e colegas

    Já vi o grupo e está uma maravilha. Vou fazer tudo para ajudar a divulgar. A internet e a facilidade com que obtemos a informação vieram para ficar. Nas empresas não passamos sem ela. No meu caso é todos os dias e não estou a brincar, todos os dias tenho de procurar na internet como resolver novos problemas com que me deparo. Porque sempre que eu tenho um problema já uns milhares passaram por eles e alguns registaram a resolução. Tenho conferencias com fornecedores em Italia todos os dias, quando a empresa pertencia a uma multinacional Norueguesa fazia formação, conferências com colegas do mundo inteiro. Com muita formação presencial pelo mundo fora também mas tentavamos fazer sempre primeiro pela internet porque ficava mais barato.

    Quando se está a falar de internet e em divulgar, temos de ser ambiciosos. Fazer as coisas para o mundo não só para o nosso cantinho. O que vou propor no artefacto é usar uma ferramenta para envolver todos, numa temática mas vou propor que o façam em duas linguas. Portugues e Inglês.

    Cumprimentos e muito grato à colega Celeste por toda esta experência.#ecoimooc4t2