Insistir no móvel e boa cidadania digital

Caros colegas e professoras

De vários cursos que tenho assistido fico com a ideia que:  o ensino do trabalho cooperativo deve ser incentivado nas escolas, os pais tem de ser envolvidos também no uso das feramentas técnológicas e isto é essencial, os telemóveis são admitidos nas aulas e podem ser grandes aliados para a motivação dos alunos e as ferramentas de que dispomos na internet são, se forem bem escolhidas e usadas, excelentes meios para o fazer. E devo dizer que concordo com tudo isto.

Mas, um conceito que tenho observado muito e que me tem preocupado um pouco é o de "good digital citizenship" ou seja ajudar os jovens a praticar a boa cidadania digital e em segurança "Online". O que acham disto? Não estaremos a criar mais uma forma de descriminação e exclusão na nossa sociedade? Os bons cidadãos digitais e os maus cidadãos digitais? Os que sabem e os que não sabem?

Cumprimentos,

Pedro Ribeiro

 

 

Comentários

  • Amanda L há 1229 dias

    Eu não sei Pedro, mas vou pesquisar.. :)))

    Primeira vez que vejo o termo "good digital citizenship"... O máximo que entrei em contato com algo do gênero é a famosa Netiqueta :))) Uso ela na tutoria que realizo e num Mooc da Espanha que sou aluna. Coloquei no google e tentei inserir uma imagem.. vamos ver se sai.. ou não... Wink

     

     

    Amanda :) 

    #ecoimooc4t3

  • Amanda L há 1229 dias

    Deu certo... vou colocar mais :) prometo que é a última :) 

  • Celeste_Gregorio_Lopes há 1229 dias

    Boa noite, Pedro e colegas 

    E mais uma vez, cá vem a Celeste ... ( e a seguir a Amanda?!)

    Olhemos positivamente: preocupamo-nos com a segurança online, sem dúvida.Mas pela perspetiva do direito e da equidade, mesmo que relativa. Não creio que a discriminação negativa se coloque neste patamar - essa colocar-se-á num nível político muito mais complexo, cuja discussão não me parece ser o nosso propósito.

    Sendo uma questão de cidadania, é também uma questão de utilização ética. Se o acesso é um direito,  o uso ético é um dever, tal como noutras áreas da informação e do conhecimento - e como na vida.

    Exclusão mesmo é existir um mundo tecnológico sem que haja acesso; discriminação é haver uma pequena parte de cidadãos - digamos, aqui, alunos - com acesso ao digital, e outros sem  poderem trabalhar com tecnologias. Tristemente, isso existe. E é de uma injustiça tremenda!

    Quando estamos no melhor dos mundos (agora já estou como Monsieur Pangloss...) estão 'equipados' com o mínimo:

    a) possuem um mail pessoal com uma designação credível e séria (acredita que já me recusei a enviar mails para uma aluna cujo único mail era 'hot_leggs@...?);

    b) conhecem e praticam regras de netiqueta (palavra esquisita..);

    c) possuem informações básicas sobre riscos e prevenção na net (http://www.internetsegura.pt/riscos-e-prevencoes);

    d) conhecem, através da Biblioteca Escolar ou do professor que os orienta, modelos de pesquisa (Big6, Plus, outros), pelo que não se perdem, à partida,  nos meandros da informação;

    e) estão sensibilizados para o respeito pelos direitos de autor e conexos.

    Acima de tudo, sabem que a pegada digital é tão profunda quanto a dos maiores saurópodes.

    Nessa altura,  estarão preparados para frequentar ambientes e experimentar ferramentas tecnológicas, fazendo jus ao que Duarte Pacheco Pereira sabiamente escreveu "A experiência é a madre de todas as coisas". 

    Alertemos para uma  sensatez ética; a salvaguarda de um é a salvaguarda de todos, pratiquemos a máxima das máximas - não farei o que não gostaria que me fizessem.

    Tudo isto é nossa responsabilidade, como educadores, seja em que papel for, pais, formadores, professores. E se partilharmos informação e conhecimento, ajudamo-nos, fazemos melhor, progredimos.

    Maus cidadãos digitais? Prefiro pensar em falta de orientação ou, no limite, em eventuais desvios: cidadania desviada e desviante (pergunto- onde estiveram os educadores?). 

    A discriminação e exclusão nascem, à partida, de assimetrias sociais. Nesse caso, descendo ao mundo da realidade maior, os educadores devem ter um papel amenizador: trabalho com o que tenho, rentabilizo, otimizo. Jamais se deve fazer da falta um fator de menorização ou incapacidade: a tecnologia usa-se onde estiver, quando e se estiver disponível.

    Quando a  'minha' Escola ainda não tinha tanta possibilidade tecnológica, levava o meu pesado portátil para a aula, ligava ao projetor, dava-lhes uma fotocópia com um printscreen e a turma ia conhecendo o teclado, aprendia a escrever mails, simulava pesquisas... Tão orgulhosos de terem um dossiê de impressões do computador deles! E aprenderam Português ao mesmo tempo!

    Sintetizando, que o discurso vai muito longo - prefiro ver o copo meio cheio! Se formos cidadãos atentos ao Outro e ao Mundo, sê-lo-emos em tudo. E a melhor formação que podemos dar aos nossos meninos é o exemplo.

    Bom resto de semana para todos!

    #ecoimooc4t3

     

     

     

  • Pedro Ribeiro há 1229 dias

    Caras colegas. Obrigado pelas imagens e pelos comentários, fico e acho que ficamos todos sempre a ganhar. Quando começei nos anos 90 a usar a minha ligação de 56k à internet nunca me passou pela cabeça que seria o caminho para uma nova forma de cidadania. É incrivel o que está a fazer a tecnologia. #ecoimooc4t3

  • Amanda L há 1229 dias

    Depois de ler tudo que a minha amiga Celeste colocou - e ela está muito bem informada nesta questão - preciso dizer que concordo com a linha de pensamento. E pra ser mais exata: 

    "Sendo uma questão de cidadania, é também uma questão de utilização ética. Se o acesso é um direito,  o uso ético é um dever, tal como noutras áreas da informação e do conhecimento - e como na vida."

    Achei perfeita a colocação.. também creio que a maxima "eu nao faço para os outros o que nao gostaria que fizessem para mim" seja valiosa, ainda que nem todos se pautem nisto para suas ações! Enfim... também não vejo preconceito Pedro, creio que é uma questão sem volta.. se estamos inseridos na rede, se somos digitais, temos direitos e também deveres :) e a utilização responsável faz parte importante deste contexto!

    ps. morri de rir com as hot_legs..!!! ai ai ai... :)))

    abraços a todos,

    Amanda

    #ecoimooc4t3 


  • Silvia_Vieira há 1228 dias

    Olá Pedro.  Eu até concordo quando afirma que " ostelemóveis são admitidos nas aulas e podem ser grandes aliados para a motivação dos alunos e as ferramentas de que dispomos na internet são, se forem bem escolhidas e usadas, excelentes meios para o fazer." O problema é que em muitas escolas incluindo a minha é  proibida a sua utilização dentro da sala de aula.

    #ecoimooc4t3

  • Pedro Ribeiro há 1228 dias

    Boa noite a todos.

    Pois contra isso não tenho argumentos. Acho que é preferivel deixar de proibir e ensinar a usar com com respeito por todos. Sabemos que há sempre os que abusam e será complicado. Mas se estabelecermos algumas regras, como no cinema por exemplo, e os mativermos ocupados, os telemóveis é claro, porque os alunos já sei que o são, acho que haverá espaço para eles. Eu lembro-me que quando fiz o liceu, há mil anos atrás era proibido a calculadora, com o meu filho tive de comprar um calculadora nova quase todos os anos e só parou agora porque leva o computador na universidade.

    Para além de que podemos ficar a saber quais os melhores modelos a comprar, pelas criticas dos alunos. E porque não aproveitar para ir aos operadores e dizer que a nossa escola é zona de comunicações e fazer os rapazes(das operadoras) colocar uma antena com wi-fi à borla para todos e em condições. Bem isso é mais dificil porque os contratos são publicos nas escolas, no particular é mais fácil fazer estas coisas. E podem querer que o faço. Podem sempre tentar tarifários para os alunos e professores muito mais baratos. Eles ganham muito dinheiro temos os espremer.

    Uma nota. Em relação aos nomes dos emails porque não fazem um concurso para o endereço de email mais criativo? Ao hot_leggs apresento o sugarbabby@homail.com ;-)

    Cumprimentos a todos e obrigado - #ecoimooc4t3

  • Celeste_Gregorio_Lopes há 1228 dias

    Pedro, 

    Se houver crachás de humor, o primeiro tem  de ser seu! Gargalhei! O último parágrafo está um mimo! Supera todas as hots que já me apareceram! 

    Obrigada por me ter dado a  ler algo bem disposto. É bom rirmos uns com os outros, que para cinzentos bastam os áridos caminhos do academismo 'by the book' and 'teach the test'.

    Também muito interessante a ideia do contrato negociável. Porém,neste momento, impensável. Sabe que até a pouca autonomia dos pequenos fornecimentos nos foi retirada? Não confie quando lê determinadas iniciativas na imprensa - ou é porque a inspeção ainda lá não chegou, ou porque há programas específicos que não foram completamente explicados... É que tudo se faz nas benditas plataformas a nível central... 

    Quanto aos telemóveis e outros equipamentos tecnológicos, o uso está claramente regulamentado no Estatuto do Aluno e Ética Escolar, secção III, artigo 10º, alíneas r),s),t) - http://www.dgeste.mec.pt/index.php/2013/12/estatuto-do-aluno-e-etica-escolar/

    O facto de as escolas/ agrupamentos proibirem o uso nas salas de aula (a minha é uma delas), a nível de Regulamento Interno,  está diretamente relacionado com a facilitação da tarefa do professor e a evicção da indisciplina, com os consequentes procedimentos disciplinares (isso sim, o tempus fugit materializado aos nossos olhos...).  Tal não invalida que não os possamos usar. Lá está a sensatez e o nosso olhar atentamente poliédrico. Numa turma de nível socioeconómico equilibrado, em que a tecnologia se  equipare por que não? Já noutra com disparidades sociais, o uso é de evitar - use-se o equipamento da escola. Este ano tenho uma turma em que reparei logo que podia fazer o complemento entre tecnologias; já me aconteceu não o poder fazer; e já me aconteceu os alunos terem as possibilidades tecnológicas, mas não terem o perfil adequado ao uso responsável e atinado. 

    Quando o trabalho é consistente e os resultados aparecem, não há proibição que nos coarcte - até porque nenhum Regulamento Interno se sobrepõe à lei geral.

    Pior que tudo, reitero, é a fartura tecnológica em que vivem e o inerente  desinteresse em usarem redes sociais e equipamentos tecnológicos pessoais para o trabalho. Ultrapassar esse obstáculo é a minha maior barreira. Sei que não estou sozinha, porque ouço muitos colegas a queixarem-se do mesmo.

    Os telemóveis são ideais para trabalhar com o Twitter, por exemplo num projeto relacionado com poesia ou microcontos. Já experimentei com uma turma de pequeninos - 7º ano- que adoraram, enquanto os de 10º, que tive no ano seguinte, foram de uma relutância militante e o projeto foi finalizado com dificuldade apenas porque perspetivaram negativas no horizonte...

    Os alunos como os filhos - todos diferentes, todos nossos, todos para amar. Se não for assim, quem o fará por nós?

    Boa noite, colegas, e sigamos o Pedro - uma boa gargalhada com qualquer sugarbabby@... que tropece no nosso mail (institucional, de preferência Laughing)

    Celeste

    #ecoimooc4t3