Quando a poesia é um ato participado e participativo

Participar num concurso pode ser uma ocasião para trabalhar em conjunto. A professora lançou o desafio na página da disciplina, no 'fórum notícias':

"Com o programa de Português, vamos fazer um poema sobre o 25 de Abril.Tomaremos como exemplo o poema de Manuel Alegre, nas páginas 84 e 85 do manual.A partir das nossas matérias,  cada um de nós contribuirá com um ou dois versos, parafraseando cantigas de amigo, de amor, Fernão Lopes, Gil Vicente,Camões ou, até, Manuel Alegre e outros poetas de que se lembrem.E que tal fazer  refrão, rimas, ir buscar mais poetas e outros poemas para parafrasear (a pastiche, lembram-se?), e construir um poema vencedor para irmos declamar perante o Presidente da República, nos festejos do dia 25 de abril, cá em Santarém?

 Vamos ganhar este concurso????"

E lá fomos nós à conquista...

1º passo - ir buscar a imaginação, usar a inspiração, escrever;

2º passo  - tomar uma decisão democraticamente consensual: os três alunos que mais e melhor produziram veriam o seu nome publicado em representação da turma, o autor do melhor conjunto de versos iria recitar o poema;

3º passo - usar a tecnologia básica - o processamento de texto; 

3º passo  - aplicar a literacia da informação - salvaguardar o produto com a licença CC - https://creativecommons.org/choose/ ;

4º passo - (o mais doloroso) aceitar /sentir na pele a desilusão  da quebra das promessas dos políticos: a mudança de protocolo impediu os alunos das escolas de mostrarem os seus trabalhos ( só a neta de Salgueiro Maia iria discursar);

5º passo - lutar em várias frentes : 1 - usar a tecnologia de partilha social - publicar no blogue da Biblioteca Escolar  o poema  coletivo (https://bibliotecaessb.wordpress.com/2016/04/25/3190/ ) ; 2- usar a influência da Diretora do Agrupamento para expressar indignação - resultou! - o Tomás foi recitar o poema no espetáculo Abrilarte, a 24 de abril.

Foi trabalho colaborativo? Foi! Na escola, na cidadania e na vida. Hão-de lembrar-se do poema que fizeram e da 'luta' por 46 versos lidos para uma plateia de 250 pessoas, sem que nenhum de nós tenha assistido, porque já não havia bilhetes e a recitação aconteceu numa cedência de última hora... (Resta dizer que há registos fotográficos, porque a professora conhecia o fotógrafo oficial do evento e pediu encarecidamente que o Tomás não fosse esquecido!).

Excerto

 

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