A propósito de avaliações e anonimatos

Quase poderia ser uma crónica. Quase. Mas será apenas uma sentida declaração de independência. 

Antes, direi dos motivos que aqui me trouxeram. O primeiro - a eterna curiosidade do saber mais, sempre mais. O segundo - a novidade, o ambiente , um ECO iMOOC, nunca antes experimentado. O terceiro, o tema  competências digitais, sequência e ampliação de saberes. Creio firmemente no espectro poliédrico da máxima "viver e aprender".

Também devo dizer que, nesta conjugação de  topo  de carreira, tempo de serviço, expectativas e vontade, toda e qualquer avaliação é irrelevante. (Mas peço sempre o certificado, não vá o ministério manter-me até à loucura e, ainda assim, exigir-me os dossiês de diplomas, certificados e quejandos...)

Falando de avaliação interpares, acredito estar entre praticantes do nobilíssimo ato de múltipla reflexão sobre processos e produtos advindos (também) de múltiplas aprendizagens. As escalas são o método relativo com que procuramos transformar a avaliação em classificação ( e nem semanticamente este ato de avaliar é pacífico...). Se uma grelha é um elemento clarificador de critérios, o comentário final fundamenta o nosso ponto de vista, tal como diz do modo como entendemos o trabalho do outro e, eventualmente, a seriedade com que ele encarou o que fez. É difícil avaliar, é terrível classificar, é imprescindível ser muito cuidadoso nos comentários que fazemos ao trabalho alheio.

Referi num comentário anterior que, entre pares, jamais partirei da falta de fundamentação de um trabalho, das leituras que o enformam, da seriedade com que foi feito (muito menos da ignorância do meu par!). Porque não consta a referência, por exemplo, às normas APA, MLA, NP na grelha, e o que aparece no trabalho também não o diz by the book, não entenderei o outro como falho de normas de referenciação. Jamais me restringirei ao literal. E acrescento que, como avaliadora, me sinto, sempre me senti, obrigada a estar na posse de conhecimentos que me permitam entender o que avalio, o enquadramento e formatação teórica, no minímo. 

Finalmente, entendo que o maior ato de transparência é a assunção do que faço. Logo, como avaliadora também me identifico, tal como fiz no meu trabalho submetido a avaliação. Se, como professores, o fazemos com os nossos meninos, corrigimos, explicamos, encaminhamos, melhoramos, falamos olhos nos olhos, então por que razão nem o nosso nome escrevemos aqui para o nosso colega? 

Avaliar é um ato de coragem e humildade - de parte a parte. Mas também de muita frontalidade, porque faz parte do ensinar e do aprender. Com os nossos meninos, nós, professores, passamos testemunhos de experiência, aprendemos, ensinamos,  orientamos, somos orientados, conhecemos e damos a conhecer - com rosto e com nome. Porque, como dizia S. Paulo "Ainda que eu possua toda a ciência do mundo, se não tiver Amor nada serei". Ou, se preferirem poesia, direi Ruy Cinatti "Quem não me deu Amor, não me deu nada".

Dito isto, obrigada pelo que aqui aprendi! Porque aprendi, aprendo sempre! 

(Já agora, hão de ter reparado que não citei fontes Cool

Celeste

 

 

 

 

Comentários

  • Amanda L há 1208 dias

    Querida amiga Celeste.. partilho do seu comentário, tendo o mesmo sentimento...! 

    Finalmente, entendo que o maior ato de transparência é a assunção do que faço. Logo, como avaliadora também me identifico, tal como fiz no meu trabalho submetido a avaliação. Se, como professores, o fazemos com os nossos meninos, corrigimos, explicamos, encaminhamos, melhoramos, falamos olhos nos olhos, então por que razão nem o nosso nome escrevemos aqui para o nosso colega?"

    Também gostaria de compreender porque muitos fizeram a avaliação de seus pares no anonimato. Não estamos aqui para aprender, como objetivo maior?

    Não haverá perfeição, em termos de avaliação, leva-se em conta muita coisa, explicita e implicita também. Mas daí a nem sabermos quem foi nosso colega que leu e avaliou nosso trabalho?

    Noutra parte..

    "Avaliar é um ato de coragem e humildade - de parte a parte. Mas também de muita frontalidade, porque faz parte do ensinar e do aprender. Com os nossos meninos, nós, professores, passamos testemunhos de experiência, aprendemos, ensinamos,  orientamos, somos orientados, conhecemos e damos a conhecer - com rosto e com nome. Porque, como dizia S. Paulo "Ainda que eu possua toda a ciência do mundo, se não tiver Amor nada serei". Ou, se preferirem poesia, direi Ruy Cinatti "Quem não me deu Amor, não me deu nada".

    Amém minha amiga... Amém.

    Que possamos levar esta lição!!!

    Obrigada pelo post. É Sincero como é a sua alma!

    Abraços!

    Amanda 

    #ecoimooc4t3