FORMAR PROFESSORES NA ERA DIGITAL: COMO E PARA QUÊ!

No atual sistema de ensino português, e após o colapso do plano Tecnológico da Educação em que, entre outras medidas, se perspetivava a certificação em competências TIC dos professore em três níveis, um dos grandes desafios colocados aos docentes é fazer com que os alunos transformem a informação disponível na web em conhecimento.

Muitos alunos retiram a informação da net (uns com caráter mais ou menos criteriosos, outros nem por isso), são capazes de a reproduzir, mas, numa fase ulterior, se lhes for pedido para emitirem uma posição pessoal sobre a temática ou fazerem um juízo crítico acerca dessa mesma informação, o resultado já não é tão positivo.

Para que haja transformação da informação em conhecimento é necessário torna-la significativa, ou seja, examiná-la á luz da realidade vivida, considerando o contexto onde a experiência se verifica.

Nesta conjuntura, por parte dos professores e formadores, não basta dominarem a tecnologia (tarefa hercúlea, visto o avanço tecnológico estar em permanente devir), mas torna-se imperioso alterar significativamente a tipologia das atividades solicitadas aos alunos.

Subjacente à política educativa, o objetivo primordial é provocar mudanças pedagógicas profundas e não apenas preparar os alunos para trabalharem com as TIC. Por outro lado, sendo os alunos “nativos digitais”, em contraposição com a geração dos “migrantes digitais”, à qual pertencem ainda a esmagadora maioria dos docentes, aqueles estão muito mais à vontade com as novas tecnologias, fazendo com que muitos docentes sejam renitentes na sua utilização, sobretudo com receio de que os alunos sabem mais do que eles, sendo, por tanto, a sua autoridade posta em causa.

Outra apreensão generalizada é que, quando os docentes possibilitam aos alunos o uso dos computadores e a internet para a realização dos seus trabalhos, os alunos se dispersem, uma vez que estes rapidamente acedem às redes sociais ou outras páginas da web com interesses divergentes das que foram indicadas / sugeridas pelos professores.

Até ao presente, a esmagadora maioria da formação (creditada ou não) direcionada para os professores tem tido como epicentro o domínio de ferramentas básicas (nomeadamente do office), em detrimento de ações de formação potenciadoras da tal alteração do paradigma pedagógico. Continua a faltar, portanto, por parte da DGE – ou outra entidade vocacionada para o efeito – a conceção e implementação de um plano de formação que vá além da mera literacia digital.

Comentários

  • maria leonor lopes neves alves há 1100 dias

    Rui, muito interessante o seu texto. A verdade é que os alunos são nativos digitais e os professores não, assim, é complicado. Mas também se verifica que os agentes educativos, que possuem , uma licenciatura ( licença para estudar sózinhos) , não querem aprender mais. Não lhes apetece. E então? Vamos obrigar as pessoas a "mexer" na internet? Já foi uma complicação para "mexerem" no computador... Mas, e correndo o risco, calculado, de me chamarem ditadora, acho que os professores deveriam aprender a usar a internet, deveriam ter formação obrigatória nas suas escolas , para estarem minimamente preparados para esta urgencia de estar a par dos nossos alunos.

    #ecoimooc5, #ecoimooc5t1

  • Elizandra Jackiw há 1099 dias

    Rui, Maria Leonor,

    A formação do professor é fundamental para uma efetiva inserção das TIC no processo pedagógico, mas parece-me que além dos entraves para esta formação, que fica relagada à própria vontade do professor, ou seja, na formação continuada, não percebo, em nível de formação inicial qualquer preocupação em relação a isso, ou seja, as próprias práticas de formação inicial são reprodutoras das velhas práticas escolásticas...

  • Rui Pacheco há 1099 dias

    Nem mais, Maria Leonor. Por isso, acho que o PTE, embora bem intencionado, colapsou. E, quer queiramos quer não, a IOT (internet of things) é uma realidade.

    Creio que muitos de nós, depois de tantas reformas e contra-reformas no sistema do ensino português, juntamente com a obrigatoriedade de cumprirem a componente não letiva (ideia iluminada da Lurdinhas) e mais os relatórios e as grelhas (só falta o grelhador e as sardinhas para um verdadeiro churrasco na escola) e a infinidade de papeis , que não contribui para a felicidade de ninguém nem para a melhoria da qualidade das aprendizagens, já não temos, por vezes, muita vontade para desenvolvermos mais estas competências. Além disso, estas competências estavam completamente arredadas do perfil de um bom professor.

    #ecoimooc5, #ecoimooc5t1

  • Maria João Spilker há 1099 dias

    Olá,

    Venho somente questionar: As alunos/estudantes/formandos, serão mesmo "nativos digitais"? Será que os aprendentes sabem utilizar a Web 2.0 para aprender? Para se valorizarem a nível profissional e/ou pessoal?

    Continuação de boas partilhas,

    MJoão

  • Rui Pacheco há 1099 dias

    Concordo plenamente com a Elizandra. Todo o conhecimento que tenho das TIC foi adquirido após ter obtido o canudo.

  • Katia Wermke há 1099 dias

    Concordo com a colega acima que diz que muitos professores ainda estão enraizados na antiga era do chamado "cuspe e giz" no Brasil. A formação para o uso das novas tecnologias também deve ser de sua importância para aqueles que não as dominam bem. Há professores de todas as gerações em um mesmo estabelecimento de ensino. os mais jovens já vem com uma bagagem digital superior aos outros colegas. Já passei por situações assim, onde a colega mais velha não tinha um treinamento adquado e não sabia usar corretaente a midia digital que foi instalada em sala de aula. O e-board foi o carrasco da colega por algum tempo. A tecnologia ajuda a quem a sabe usar, os alunos também precisam aprender a usa-la de forma que enriqueça suas pesquisas.

  • Jacinto Pinto há 1096 dias

    Olá,

    O tema inicial desde post é muito interessante: "Formar professores na era digital: como e para quê!" 

    Na realidade os nossos alunos são os verdadeiro "nativos digitais" e os atuais professores são os "imigrantes digitais".

    Deixo aqui um link interessante: 

  • Ana Santos há 1096 dias

    Bom dia a todos,

    A Maria João colocou uma questão muito importante e relevante nesta discussão: os nossos alunos sabem utilizar a web 2.0 para aprender? Sinceramente, tenho muitas dúvidas que assim seja...eles sabem usar redes sociais, jogos, apps mas sobretudo numa perspetiva lúdica. Para a aprendizagem a internet é um mundo de pesquisa básica e de recolha de informação sem qualquer tipo de análise ou filtragem. E sem a pasagem a um nível superior de tratamento da informação não ocorre uma aprendizagem efetiva.

    Ana Margarida