Precisamos de disciplinas?

Para Vítor Teodoro, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, o modelo da missa que tem dominado a educação deve ser combinado com o modelo do apprenticeship, introduzindo-se bons laboratórios, uma forte componente prática, uma forte componente artística, desenvolvendo o trabalho de projecto dos alunos e colocando a ênfase no trabalho com pequenos grupos.

Mas, como explica Vítor Teodoro, "nada se passa fora do enquadramento tecnológico, mas achar que se pode usar a tecnologia para provocar a mudança é ingénuo. O que temos de ter é uma lógica daquilo que queremos para a escola".

As mudanças que estão em curso vão ter de envolver, obrigatoriamente, cinco dimensões: a política, a tecnológica, a pedagógica, a curricular e a da formação de professores.

Comentários

  • Manuel Silva há 1022 dias

    Caríssima colega,

    tendo em conta a sua importante intervenção, acrescento também que as atividades práticas de laboratório podem desempenhar um papel muito importante no desenvolvimento de conceitos científicos necessários ao desenvolvimento de projetos tecnológicos.

    O recurso à prática de técnicas laboratoriais, decorre da necessidade de no percurso das atividades de ensino/aprendizagem, se proceder a experiências que permitam validar algumas ideias que, antes de se aplicarem, necessitam de ser verificadas.

    Muitas vezes o discente idealiza soluções que em termos teóricos parecem plausíveis, verificando-se posteriormente, na prática, inconvenientes que inviabilizam a sua aplicação.

    Desta forma o recurso a este modelo não deve ser encarado como atividade central do processo ensino/aprendizagem na disciplina de Educação Tecnológica, mas sim como uma prática necessária sempre que o desenvolvimento das atividades faça apelo à experimentação.

    Assim, decisões que a nível da construção do seu projeto, o discente deva tomar, deverão, muitas vezes, ser precedidas de experiências que permitam dar consistência e validade às propostas que apresenta. A simples escolha de um material ou a determinação dos mecanismos de funcionamento de um objeto, são exemplos de decisões que decorrem de uma análise cuidada com recurso à experimentação.

    Nesta base podemos afirmar que a prática de técnicas laboratoriais quando utilizada em Educação Tecnológica se demonstra vantajosa. Não só por permitir a comprovação do que se pretende, mas essencialmente porque aponta para a descoberta alargando os horizontes do saber, desenvolvendo a criatividade.

    Quando o discente experimenta materiais no sentido de determinar qual o mais adequado de acordo com a finalidade do produto que pretende realizar, não se limita a constatar o existente. Ele observa, relaciona, adequa, reajusta e muitas vezes cria soluções alternativas na base do verificado.

    Saudações escolares.

    #mooceduET22

  • AnaMaio há 1022 dias

    #mooceduET22

    Penso que o que o Colega descreve é inteiramente verdade e acontece frequentemente e nesse caso o professor funciona como orientador e deixa o aluno descobrir sozinho com as suas experiências.

    Segundo João Barroso, especialista em políticas de educação e formação da Universidade de Lisboa, o professor tem de ser um mediador, sim, mas "entre o aluno e o conhecimento", assegurando "situações criativas para o uso das tecnologias". Desta forma, o docente mantém a imagem "do adulto junto do jovem, do professor reflexivo que pensa nas suas práticas e que procura actualizá-las, do porteiro do conhecimento e daquele que garante os valores da educação pública na escola".

    Cumprimentos.

  • Manuel Silva há 1021 dias

    Caríssimos colegas,

    Face à minha intervenção no âmbito das atividades práticas de laboratório (técnicas laboratoriais), acrescento que existem outras situações em que a experimentação se situa no campo da criação pura. O problema existe mas não tem solução. Neste caso o percurso experimental baseia-se no desenvolvimento de hipóteses que, passo a passo, vai comprovando até à obtenção do que pretende. Por esta via o discente avança gerindo os recursos materiais e o saber de modo interativo, até à criação da resposta que julgue adequada para a resolução da problemática que deu origem à sua investigação.

    Saudações escolares.

    #mooceduET22