A banalização da informação e o fazer pragmático do pensamento

A banalização da informação e o fazer  pragmático do pensamento

Quando René Descartes propõe seu método, resignifica um período histórico e todo um legado científico por vir. Ao definir que o pensamento humano deve transitar pela constatação das evidências; analise das coisas, que se dá pela divisão dos olhares e saberes; na síntese do ora separado em um todo verdadeiro, fechando com a importância de uma conclusão que possibilite demonstrar a organização do pensamento, Descarte apresenta uma dinâmica científica de pensar, dentro de uma criticidade real, mas que em momento algum descarta a natureza do pensamento humano construído e articulado a partir de no senso comum.

O que temos visto na vida contemporânea consiste na desapropriação do pensar comum, como se isso fosse um pecado. Parece que tudo tende a ser científico e, caso contrário, não deve ser levado em questão.

Nosso pensamento passou a ser veloz, nosso ensino priorizou a criticidade, a reflexão, a ciência. A memória, tão elogiada na Pedagogia Tradicional, deu azo a um cenário que não mais a cultiva [considero de modo especial uma perda, se tratada na medida do equilíbrio].

Vivemos a oportunidade da liberdade e as manifestações ideológicas, políticas, econômicas, educacionais e culturais têm ditado um período histórico peculiar às várias Nações.

Embora não caibam comparações, mas motivado pelo vídeo que remete ao livro de Nicholas Carr e que define a geração atual como “geração superficial” graças a internet, creio que seja necessário refletir sobre os regionalismos, as culturas locais enfim, antes mesmo de propor-se uma especulação sobre a superficialidade do homem contemporâneo.

Uma criança inglesa que vive em um ambiente doméstico, privado das oportunidades de convívio multicultural, preso as ideias e exigências de um País criado para representar a vida burguesa e que tem acesso à internet, não demonstrará os mesmos comportamentos de uma criança itaperunense de pais assalariados e que precisa ter o conhecimento “pré-histórico” para sobreviver, ainda que tenha acesso a internet. Portanto, são leituras diferentes e, entendo haver um grande risco em se querer retratar toda uma geração sob o estigma de superficial.

Compreendo, seja importante tratar do Q.E – Coeficiente Emocional, dessas crianças, pois nisso elas talvez se igualem. Aproximá-las de outras pessoas, oportunizá-las estar de frente com ações multiculturais me parece ser mais sensato e producente para a construção de um cérebro calmo e focado. Tenha como referência  o filme “Quem quer ser um milionário”.

Vários seriam os teóricos que poderia utilizar para contestar a tese de abordagem. É verdade que não li a obra e, isso é preciso dizer. Estou apenas fazendo uma inferência a partir do título da obra e da leitura de um vídeo me permitiu tecer considerações e que pode não conter todas as verdades existentes na obra do renomado autor.

Certamente isso não me coloca no rol dos superficiais. Até porque várias técnicas (ciência) foram utilizadas para tentar avaliar a situação. Será que por meio desse exemplo se pode compreender a diferença?

A grande verdade é que a humanidade parece caminhar pautada em uma base de pensamento pragmático, imediatista, causal e, embora de modo bastante simplório, posso atestar que a falta de ações que primam pela sensibilização do Ser Humano, tem deveras banalizado a informação ao mesmo tempo em que o pragmatismo do pensamento parece estar simplificando o modus vivendi  e o modus operandi de tal monta que SUGERE a constituição de uma geração superficial.