As Competências digitais do “professor tecnológico”

As Competências digitais do “professor tecnológico”

 

Aqui me deparo com uma questão bastante interessante. Afinal, ter que comentar um assunto de Didática tão controversa e ao mesmo tempo singularizada por tantos escritores que defendem a tese da “incompetência” do docente, me parece bastante provocativo.

O texto “A pesquisa na internet como estratégia de aprendizagem: um estudo de caso nas aulas de ciências físico-químico” cuja autoria se divide entre MONTEIRO e PEREIRA registra o pensamento de Dias de Figueiredo [1998] que define, em regra geral o que se espera desse professor-educador, enquanto competências digitais, de modo bastante claro.

 

[...] E o professor, mais do que um transmissor de conteúdos, será aquele que cria oportunidades para que a necessária estruturação destes ocorra, é o que propicia os contextos de aprendizagem que permitam que o aluno dê sentido aos conteúdos, crie o seu saber o operacionalize e torne esses mesmos conteúdos utilizáveis. Dias de Figueiredo (1998  apud MONTEIRO; PEREIRA, 2011, p. 47)

 

Desse modo, trago  pensares acerca da condução dos trabalhos em classe e instintivamente me deparo com um axioma que premia minha reflexão em tese: a importância da prontidão para o uso eficiente das TIC.

Alguns pedagogos de formação como eu, vão ignorar minha assertiva negando o predicativo, do sujeito é claro, imaginando ser essa prontidão a extensão da exigência de estar totalmente pronto para algo, vinculando o termo utilizado no processo alfabetizador no passado. Todavia, aqui e de modo específico, não ressuscito o grande estudioso Alfred Binet [1857 – 1911] com os testes de QI, mas utilizo sua lógica para afirmar que por falta de conhecimento prévio e/ou orientação, a utilização da ferramenta tecnológica se torna subutilizada por todos.

De imediato trago à memória a imagem de uma Faca. Dar a faca significado social, cultural, prático; ter conhecimento dos diferentes tipos de corte, dos modelos..., é essencial para iniciar uma pesquisa, um estudo, um texto. Vejamos um aluno que não aprendeu a extrair as ideias centrais de um texto, que não entende a importância de inferir suas ideias a partir de anúncios, slogans, paisagens etc; que não interpreta; que não cria... . Ao nascermos e de acordo com o nosso desenvolvimento, nos damos conta do uso social de uma cadeira que outrora recebia esse nome pelo simples fato de reconhecimento social, pela sociedade. Não lhe dávamos o sentido social de uso.

O problema, me parece, está muito ligado ao fato da Instituição Escolar não pensar em dar condições prévias para que o aluno se organize mentalmente, comportamentalmente, emocionalmente para entender e se manifestar diante dos desafios. Tem sido tudo muito pronto e o copiar e colar tem dado conta desse processo. Até porque é mais simples trabalhar sob uma base curricular pronta e desconstruir algo pronto é árido, sofrível, penoso para um Sistema acostumado com a reprodução.