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Respondendo a Ana Correia: Decorrem as avaliações a três outros colegas: pode esta dinâmica relacionar-se com o Tema 3?

 

Vi relação desta dinâmica com o tema 3, já que o tema trata sobe aprendizagem colaborativa , onde o professor é orientador , a aprendizagem é em grupo e onde o aluno é responsável pela aprendizagem. Só não consigo vizualizar a avaliação feita a distância baseada em uma atividade que se estiver dentro dos critérios é um ótimo trabalho caso contrário não seria um trabalho tão bom assim. E o aluno ? Ele pode ser um ótimo aluno mas talvez não consiga realizar bons trabalhos por motivos diversos. Esta seria uma desvantagem do trabalho colaborativo ? , (posso estar enganada, caso esteja gostaria de ser corrigida).

Ana, na verdade, eu nunca avaliei ninguém que eu não conhecesse, não me senti muito confortável em avaliar os colegas com base nos critérios apresentados.

 Consigo avaliar meus alunos com provas escritas, através de trabalhos que eles me enviam por e-mail e com outros critérios meus de avaliação, mas eles estão presentes no dia a dia comigo, eu os conheço.Me desculpe a pergunta : é difícil para vocês nos avaliarem sem nos conhecer?   

Comentários

  • @na correi@ há 798 dias

    Olá Emília, 

    Tão interessante a sua reflexão!!! Tão bom haver dúvida, incerteza e procura de resposta no processo de aprendizagem! Não é, afinal, isso que torna a aprendizagem pessoal e eficaz?

    Antes de mais deixe-me só contextualizar a minha resposta: nem eu, nem a Maria João, nem a Diana estamos neste curso com o papel de avaliadoras/formadoras, o nosso papel é mais de orientação e dinamização dos processos de trabalho que os professores/formadores definem e avaliam, por isso, a minha contribuição para esta discussão não é no papel de avaliadora. Grande parte do que vou escrever tem mais de pessoal do que de académio, tem mais de visão de aluna do que de professora.

    Deixo algumas ideias sem querer ser muito detalhada, até porque as suas questões abrangem várias temáticas.

    Começo pela avaliação de pares e depois veremos onde nos leva a conversa... :) 

    Diria, à partida, que as suas perguntas são já, em parte, resposta às suas dúvidas. Como se pode avaliar sem se conhecer? É possível conhecer alguém à distância? Devemos procurar conhecer? É possível?

    O que acontece quando no face-a-face me deparo num primeiro momento com os alunos? O processo de avaliação não começa ali? Uma avaliação informal, instintiva, mas faço-a, não? Às vezes uma avaliação diagnóstica... e parti de exercícios que devem obedecer a critérios e "uma atividade... se estiver dentro dos critérios é um ótimo trabalho caso contrário não seria um trabalho tão bom assim". Depois vou limando à medida que conheço o aluno... E como o conheço? Vou interagindo, pedindo tarefas, trocando ideias...   

    A distância coloca a barreira física, mas não dificulta a interação, a troca de ideias e a execução de tarefas e muito menos a colaboração. Há imensa literatura sobre estas questões e surpreendentemente, ou não, aponta mais para a proximidade do que para o afastamento, para a desinibição do que para a instropeção. O que lhe posso dizer é que tenho estado a fazer o meu mestrado totalmente online e posso dizer que, no âmbito desse contexto académico, conheço muito bem os colegas com quem interagi, posso não saber detalhes da vida pessoal (e no entanto até sei de alguns com quem desenvolvi maior proximidade) mas sei o que é relevante para o trabalho em que me envolvi. Tal como eu, os professores puderam recolher esses dados. 

    Significa, então, que temos que "conhecer" dentro do tempo-espaço do curso: terá o lado social das "curtas" alguma relação com isso? A troca de ideias nos blogs será útil?

    Deixe-me, para finalizar, regressar à avaliação de pares. Perante rubricas exerço a tarefa de avaliação, dura, crua, objetiva, até possivelmente dissonante da minha opinião geral sobre o trabalho porque discordo de um critério. No entanto, estando todos familiarizados com a rubrica, se não se cumpriu deve ser tido em consideração ou não? O colega vai ou não perceber a avaliação face à rubrica? Justifiquei ou não algum aspeto que achasse menos claro? O professor vai ou não recolher todos esses dados?

    Por outro lado, que peso colocamos (nós alunos e nós professores) na avaliação? Não é a avaliação um processo? Ou trata-se de uma meta? Se a vemos como meta, então tudo finaliza ali... se a vemos como processo, ela é sempre o início de uma outra coisa: de autocorreção, de autoconsciencialização, de questionamento, de investimento pessoal, de pesquisa, de troca de ideias (mesmo para o professor: a rubrica é justa?, fui clara com os meus alunos?, etc).

    Sei que me alonguei, peço desculpa... Sei que respondi com mais perguntas que respostas... mas confesso-lhe que na minha vida sempre aprendi mais com as perguntas e as dúvidas do que com as respostas e as certezas absolutas. Por isso espero que esta conversa traga mais perguntas, mais colaborações e aproxime mais pessoas.

    Grata pela reflexão que me despertou, 

    ana

     

  • Emilia há 798 dias

    Olá Ana,

    Você não se alongou nesta nossa conversa, foi extremamente esclarecedor, gostaria que tivesse escrito muito mais. Acredito que todas as colocações que você e Maria João postaram em relação as minhas dúvidas foram extremamentes valiosas e esclarecedoras. Não canso de ler cada uma delas. Estou sempre voltando nas postagens antigas para relê-las. Como disse Maria João (eu a"puxar a brasa à minha sardinha". :-). Usei corretamente ? . Vou sentir falta destas trocas de conhecimento. 

  • @na correi@ há 798 dias

    Usou muito bem Emília!!! :) Eis a prova de que as barreiras se diluem no virtual... 

    É mesmo isto, esta permuta é que nos faz maiores e, não tenha dúvidas, vai deixar saudades, principalmente porque no dia-a-dia parece ser que mal temos tempo para conversar com os outros...

    Já agora recupero o seu desafio: como é que o trabalho colaborativo pode ser suportado à distância? Como é que todas as complexidades de cada individuo podem ser incorporadas e resolvidas sem presença física? Como é que a incorporação das novas tecnologias pode resolver, por exemplo, uma situação de trabalho colaborativo em que os alunos não podem encontrar-se fisicamente (imagine-se um trabalho entre alunos que não podem encontrar-se depois das aulas porque moram longe, ou entre alunos de turmas com horários diferentes, ou entre turmas de diferentes escolas, até de diferentes países - no inglês, por exemplo, isso pode ser tão enriquecedor!!!)

    Que opiniões têm todos vocês sobre este tema?

    Um abraço, 

    ana

  • Elazir Cristina Boechat Dias Esposti há 798 dias

    Baseio minha participação nessa roda, com um trecho desse artigo. Apesar de não ser recente, achei pertinente.

    “A utilização de ambientes virtuais como espaço para compartilhar informações, por meio da Internet, possibilita aos cidadãos romperem barreiras geográficas e temporais, desde que de algum modo tenham acesso à rede, empregando-a como uma tecnologia da informação. A construção de teias de relacionamentos não-convencionais vem se tornando possível em decorrência das características da Internet. O acesso entre milhares de pessoas, sem limite territorial, propiciou novas redes de relações sociais, agrupando com maior agilidade e abrangência indivíduos com pensamentos semelhantes e que se aproximam por características, objetivos e interesses comuns, formando assim novos tipos de comunidades. Na sociedade atual, a utilização de ambientes virtuais abre novas oportunidades no processo de produção do conhecimento. Tal afirmação não pressupõe que toda tecnologia traga somente efeitos positivos; afinal, não existe neutralidade tecnológica. É inevitável que cada grupo investigue as técnicas que emergem em seu contexto, verificando suas possibilidades, suas limitações e sua aplicabilidade”.

    http://tecedu.pro.br/wp-content/uploads/2015/07/Art-1-vol1-dez-2009.pdf

  • Emilia há 798 dias

    Bem, o laboratório de informática da 2 escolas em que trabalho não são muito funcionais mas meus alunos, por exemplo,  de uma turma de  20 alunos , 8 a 10  possuem computadores em casa, trabalham então em equipes. E pensando bem acho que ja faço este trabalho colaborativo/cooperativo há muito tempo e não sabia (mais cooperativo). Claro que o trabalho se inicia na sala de aula, com todas as informações necessárias das quais eles precisam. Nada muito elaborado como o que fazemos aqui. Tudo muito precário, mas funciona.

    PS. Esqueci de colocar a etiqueta em alguns comentários. 

    #ecoimoocbrt3 

  • @na correi@ há 794 dias

    :)

    Quando questionamos, descobrimos. Quando praticamos e partilhamos, construimos...

    ;)