A DESQUALIFICAÇÃO DO DOCENTE E O PROCESSO EMANCIPATÓRIO #ecoimoocbrt3

A DESQUALIFICAÇÃO DO DOCENTE E O PROCESSO EMANCIPATÓRIO

 

Para iniciar a discussão, mais uma que sequencia o discurso anterior, é preciso antes considerar a importância da formação do profissional da educação no sentido de espelhar o processo emancipatório em verdade. Ocorre que o docente brasileiro está sendo mal formado, não há o rigor acadêmico que preceitua as exigências daquele que será incumbido de formar outras pessoas. E, pasmem, isso não se dá apenas no Curso de Formação de Professores, Curso Normal e/ou qualquer outra denominação existente.

Estamos ensinando nossos formadores a partir de um extremismo ilógico. Não raro nos perdemos no autoritarismo e criamos seres oprimidos e/ou nos prontificamos a uma postura liberal, sob a qual se deposita um excesso de liberdade e falta de controle real.

Na civilização em que “punir” passou a ser pecado, a reprovação para os casos extremos parece ter sido riscada dos procedimentos acadêmicos. Afinal, avaliar holisticamente também é sinalizar para dificuldades e, se preciso, refazer o caminho. É muitas vezes necessário reconduzir a marcha, voltar para o eixo, sempre no sentido de promover a condução ordenada, não autocrática, das ações.

Ninguém pode dar o que não tem, e essa máxima é extremamente verdadeira! Ninguém é capaz de promover algo para o qual não se dedicou, uma vez que o resultado é fruto do suor do seu próprio rosto.

Não conseguiremos êxito no processo de emancipação do cidadão com docentes desqualificados e que desconheçam, de maneira consciente, a importância da cidadania, da autonomia, da motivação, da prática participativa, da ação coletiva, do respeito à individualidade, do reconhecimento do Ser em sua totalidade.

Diante dessa realidade, só podemos criticar a Instituição Escola, enquanto agente de uma política de governo que se assemelha a uma política de campo de concentração; que reforça a ideia do mundo fácil, da política do aprovar por aprovar sem medir as consequências disso para a sociedade como um todo, simplesmente pelo fato de estar comprometida com um cenário econômico porta-voz do mundo capitalizado.

É nosso o papel, na condição de Instituição, fazer valer o processo emancipatório do educando com dignidade, realçando valores, trabalhando com as diversidades e premiando, não pela seletividade imposta no passado, mas pelo comprometimento, pela dedicação e envolvimento com o processo de aprendizagem de maneira intensa e responsável.

Desse modo, teremos um parâmetro eficaz. Afinal, não é apenas cumprir 75% de frequência na escola, mas também.

Não é só conseguir a nota e/ou conceito para aprovação, mas também. Não é só! Haja vista que com um incentivo financeiro estatal, que me cobra estar na sala de aula, e com uma boa estratégia de “cola”, é fácil cumprir essas exigências. Porém, resta pensar sobre a qualidade desse tempo em resposta ao esforço para a minha formação! Devo continuar o processo do condicionamento mental me tornando depositário das ideias dos outros, ou me torno um ser pensante e me lanço à pesquisa capaz de libertar minha alma sequiosa de saber?

Só nos tornaremos potência nos emancipando, e isso custa quando corta na própria carne!

O homem avaliado holisticamente se compraz com a verdade!

A sociedade ignora o profissional da educação, principalmente o docente, porque se perdeu o respeito pelo profissional cuja formação não permite à mãe do discente diferenciar conhecimento técnico do conhecimento de maternidade, até porque ela enxerga a docente como a tia, que dá continuidade  à sua constelação familiar.

É inegável, quiçá inconteste, a necessidade de se revisar a formação do docente brasileiro; a exigência pela sua formação acadêmica que mantém limite tênue com a valorização salarial; a exigência pelo comprometimento; a valorização pela meritocracia sem os imperativos da politicalha, pela dedicação e, sobretudo, pela disciplina estabelecida pelas normas, que devem ter caráter participativo quando no cumprimento

exemplar das mesmas.

Só qualificaremos nossos docentes no momento em que a emancipação for integral, em que a autonomia pedagógica e administrativa das instituições forem reais, propiciando um olhar criativo, dinâmico, disciplinador, respeitador, humanitário, com ações pedagógicas e de formação de mesmo teor.

Talvez assim, a mãe que não diferencia a figura do profissional, deixe de entender-se mais conhecedora dos conceitos e princípios pedagógicos do que o docente, uma vez, que para ela, a escola não prepara e, para muitas a seu retrato, não serve para nada — ideia inspiradora e que se reforça a partir do instante em que o responsável fica sem parâmetro para discernir o cidadão comum do profissional da educação.

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