APRENDIZAGEM COLABORATIVA - Mural de Recursos de Aprendizagem

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APRENDIZAGEM COLABORATIVA - Mural de Recursos de Aprendizagem

(Extrato do documento)

Actualmente, existem vários modelos pedagógicos de aprendizagem cooperativa. Salientaremos os seis modelos mais conhecidos, os quais têm sido alvo de inúmeras e aprofundadas pesquisas:

Círculos de Aprendizagem, Jigsaw, Equipas / Jogos / Torneios (TGT), Equipas de Aprendentes e Divisões de Realização (STAD), Instrução Assistida de Equipa (TAI) e Leitura e Composição Cooperativa Integrada (CIRC).

Os Círculos de Aprendizagem, desenvolvidos por Johnson, Johnson, & Holubec (1990), apresentam um modelo geral das estruturas de aprendizagem cooperativa. A ênfase coloca-se no estabelecimento de um objectivo específico, numa partilha de ideias e de materiais, numa divisão de trabalho e nas recompensas para o grupo. A avaliação é feita em grupo e não individualmente.

No Jigsaw, desenvolvido por Elliot Aronson etal. (1978), cada membro do grupo recebe uma parte do material para aprendizagem e aprende-a para, posteriormente, ser capaz de a apresentar aos seus pares. Os membros da equipa trabalham conjuntamente para se certificarem do domínio do “todo” relativamente aos conceitos ensinados. Um teste no final da unidade verificará os conhecimentos adquiridos. Cada pessoa é avaliada individualmente.

No TGT – Equipas / Jogos / Torneios e no STAD – Equipas de Aprendentes e Divisões de Realização, desenvolvidos por Slavin (1995), o material didáctico é apresentado ao conjunto dos estudantes, que são, depois, divididos em pequenos grupos, independentemente dos seus rendimentos escolares, de forma a dominarem o objectivo da sua aprendizagem.

No método STAD, o indivíduo passa por um teste de verificação.

No método TGT, o conjunto dos grupos de estudantes responde oralmente a perguntas, como se se tratasse de um “torneio”. Nos dois casos, os resultados são obtidos para indivíduos e para grupos.

No TAI – Instrução Assistida de Equipa, os estudantes são agrupados de forma heterogénea, tal como nos métodos STAD e TGT. Posteriormente, passam por um teste de seriação para avaliação dos seus conhecimentos. De acordo com as directivas do professor, os grupos de estudantes trabalham com as diferentes unidades, de forma a apreenderem a matéria que se pretende. Os estudantes trabalham individualmente, para completar a lição, mas a correcção e a revisão são feitas em grupo. Diariamente, o professor trabalha com um grupo de aprendentes homogéneo, retirado dos reagrupamentos fixados no início do programa. Os estudantes regressam depois ao seio do seu grupo heterogéneo e terminam a lição. No final da semana, o professor avalia o resultado de cada grupo (Slavin, 1995).

O CIRC – Leitura e Composição Cooperativa Integrada, também desenvolvido por Slavin (1995), compreende três fases de ensino: (1) actividades de leitura, (2) ensino directo da leitura (identificar as ideias gerais, retirar conclusões e comparar as ideias) e (3) integração da escrita e da oralidade. Os estudantes trabalham em grupos heterogéneos e seguem um ciclo, que consiste numa apresentação a toda a classe, um trabalho prático com o grupo, uma avaliação feita pelos pares, um regresso ao seio do grupo e uma avaliação final que incide sobre o rendimento do grupo (Slavin, 1995).

Diversas investigações têm demonstrado que, numa aprendizagem cooperativa, o tipo de tarefas onde a aprendizagem pelos pares tem mais sucesso são aquelas em que os aprendentes têm que questionar, explicar, expressar a concepção pessoal, admitir a confusão e a ambiguidade, responder às questões e partilhar as informações (Legendre, 1993). É neste sentido que Slavin (1995) tem analisado as fórmulas cooperativas utilizadas para estimular os estudantes a trabalhar em grupo, de forma a poderem completar uma tarefa de aprendizagem: 1. o grupo é avaliado segundo o rendimento individual; 2. o grupo é avaliado de acordo com a sua produção final; 3. o aprendente é avaliado individualmente depois das actividades de grupo. Segundo Slavin (1983), a fórmula que conheceu mais sucesso foi a avaliação do rendimento individual de cada membro do grupo. É uma fórmula que parece benéfica para a aprendizagem cooperativa, porque encoraja também os aprendentes a responsabilizarem-se pela aprendizagem dos outros companheiros do grupo.

Das investigações de Slavin (1983) podem retirar-se três conclusões que propiciam o sucesso na cooperação entre estudantes: 1. os companheiros de grupo devem trabalhar conjuntamente para a realização dos objectivos comuns; 2. o sucesso do grupo cooperativo assenta no rendimento individual de cada elemento; 3. os elementos devem ter formação para aprenderem a trabalhar em equipa.
  
Estudos levados a cabo no âmbito de uma ampla variedade de tarefas de aprendizagem comprovam as grandes vantagens da aprendizagem cooperativa sobre a aprendizagem individualizada (Ferreiro, & Calderón, 2006). Quando comparada com a aprendizagem individualizada e competitiva, a aprendizagem cooperativa evidencia alto aproveitamento individual, alta qualidade de estratégias de raciocínio, maior frequência na transferência para o grupo, alto nível de novas ideias e soluções na resolução de problemas. Para além disso, os participantes que trabalham em grupos cooperativos tendem a estar mais motivados e intelectualmente mais activos. Sabemos hoje que estes momentos de aprendizagem cooperativos fazem também emergir, nos estudantes, um conjunto de competências cooperativas essenciais.